Carne de jacaré avança para nova etapa da Indicação Geográfica em Porto Velho

Processo será desenvolvido entre 1º e 6 de setembro na Resex Lago do Cuniã e busca valorizar a produção sustentável, fortalecer comunidades tradicionais e ampliar mercados.

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Carne de jacaré avança para nova etapa da Indicação Geográfica em Porto Velho
Fotos: Herlan Lopes

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A carne de jacaré produzida na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho, dará mais um passo rumo ao reconhecimento por Indicação Geográfica (IG). Entre os dias 1º e 6 de setembro, será realizada a etapa de construção da IG, dando continuidade ao diagnóstico técnico concluído em 2025.

A iniciativa reúne a Prefeitura de Porto Velho, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Sebrae. O objetivo é reconhecer oficialmente a origem, a identidade e as características da carne de jacaré produzida na região.

Manejo sustentável gera renda e preserva a floresta

As atividades serão desenvolvidas na Resex Lago do Cuniã, onde o manejo sustentável de crocodilianos é realizado de forma regulamentada para o controle populacional da espécie. Além de contribuir para o equilíbrio ambiental, a atividade representa uma importante fonte de trabalho e renda para as comunidades tradicionais que vivem na reserva.

A expectativa é que a certificação fortaleça ainda mais essa cadeia produtiva, agregando valor ao produto e ampliando oportunidades de comercialização.

Reconhecimento pode abrir novos mercados

Para o prefeito Léo Moraes, o reconhecimento por Indicação Geográfica representa uma estratégia para impulsionar a economia sustentável de Porto Velho.

“Estamos trabalhando para que Porto Velho seja reconhecida não apenas pela riqueza da Amazônia, mas também pela capacidade de transformar seus recursos naturais em oportunidades para quem vive e produz aqui, sempre com responsabilidade ambiental. A Indicação Geográfica representa mais valor ao produto, mais renda para as comunidades e mais visibilidade para o nosso município”, afirmou.

Segundo a Semagric, a certificação poderá ampliar a competitividade da carne de jacaré no mercado, reforçando sua procedência e destacando as características que diferenciam o produto amazônico.

Trabalho técnico envolve diferentes instituições

O secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Douglas Bener, destaca que a iniciativa fortalece toda a cadeia produtiva.

“A construção da Indicação Geográfica é um passo importante para valorizar um produto genuinamente amazônico, incentivar a produção sustentável e ampliar as oportunidades para produtores e comunidades tradicionais”, disse.

O diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural e Técnicas Agrícolas da Semagric, Herlan Alves Lopes, explica que o processo ocorre em etapas.

“O diagnóstico foi realizado no ano passado e, agora, avançaremos na construção da Indicação Geográfica. É um trabalho técnico e conjunto para reconhecer a origem, a identidade e as características da carne de jacaré”, ressaltou.

O Ibama também participa da iniciativa, sendo responsável pela emissão da Guia de Transporte por meio do Sistema Nacional de Gestão da Fauna Silvestre (SisFauna), documento que regulariza o transporte dos couros provenientes do manejo, além do licenciamento do abatedouro onde ocorre o processamento dos animais.

O que é a Indicação Geográfica?

A Indicação Geográfica é um reconhecimento concedido a produtos ou serviços que possuem características vinculadas ao seu local de origem. O registro agrega valor comercial, fortalece a identidade regional e amplia a credibilidade do produto no mercado, beneficiando produtores e consumidores.

Com o avanço da nova etapa, a expectativa é consolidar Porto Velho e Rondônia como referências nacionais na produção sustentável de carne de jacaré, valorizando a sociobiodiversidade amazônica e incentivando práticas que conciliam conservação ambiental, geração de renda e desenvolvimento regional.

Com informações de Jean Carla Costa

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