Muito além do dinheiro: o colecionador que sonha se tornar numismata

Morador da zona sul de Porto Velho, Anderfábio reúne cédulas de 14 países e mostra que a notafilia vai muito além do valor financeiro das notas.

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Muito além do dinheiro: o colecionador que sonha se tornar numismata

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  • Anderfábio é colecionador de cédulas há cerca de 18 anos, encontrando na notafilia uma forma de preservar memórias e aprender sobre história, cultura e economia de vários países.
  • Influenciado por lembranças da infância, pelo interesse em objetos colecionáveis e pelo incentivo do historiador e numismata Leandro Guimarães Ribeiro, ele organizou sua coleção e aprofundou o hobby.
  • Sua coleção reúne hoje 48 cédulas de 14 países e, mais do que valor financeiro ou raridade, ele destaca o conhecimento e o valor afetivo associados a cada peça como seu maior patrimônio.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

O que para muitos passa despercebido no fundo da carteira, para Anderfábio representa uma oportunidade de viajar pela história, pela cultura e pela economia de diferentes países. Colecionador há cerca de 18 anos, ele encontrou na notafilia, o colecionismo de cédulas, uma forma de preservar memórias e ampliar seus conhecimentos sobre o mundo.

A paixão, no entanto, nasceu muito antes da primeira nota integrar sua coleção. “O colecionismo entrou na minha vida naturalmente. Desde a infância eu achava fascinante colecionar objetos. Lembro da coleção de latinhas da minha tia, dos cartões telefônicos do meu irmão e das exposições de selos nos Correios. Tudo isso despertou em mim a vontade de guardar algo que tivesse história”, relembra.

Uma paixão que nasceu na infância

Segundo Ander, as lembranças dos anos 1990 também ajudaram a construir esse interesse. Álbuns de figurinhas, gibis, videogames, bonecos, revistas e selos fizeram parte da infância e alimentaram uma curiosidade que, mais tarde, seria direcionada às moedas e cédulas. Outro marco importante foi o primeiro CD de heavy metal que ganhou do pai, o clássico Black Album, da banda Metallica. A partir dali, passou também a colecionar CDs de rock e heavy metal, ampliando o interesse por objetos que carregam valor histórico e afetivo.

“Eu sempre tive vontade de colecionar alguma coisa. Gostava de visitar as exposições de selos postais e cartas geográficas nos Correios, na Avenida Sete de Setembro com a Presidente Dutra. Queria colecionar selos, mas o interesse por moedas e cédulas falou mais alto. Eu também gostava muito de ler sobre culturas e histórias do Brasil e de outros países. Sonhava em conhecer o mundo e percebi que cada moeda e cada cédula traziam um pedaço dessa história”, conta.

Muito além do colecionismo

Foi durante o curso de Arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) que o hobby ganhou um novo significado. O incentivo do historiador, arqueólogo e numismata Leandro Guimarães Ribeiro fez com que Anderfábio deixasse de apenas admirar moedas para iniciar uma coleção organizada de cédulas. Enquanto a notafilia é voltada exclusivamente ao colecionismo de cédulas, a numismática abrange um campo mais amplo, dedicado ao estudo e à coleção de moedas, cédulas, medalhas, fichas e outros objetos ligados à história monetária. Reconhecido entre colecionadores como uma das principais referências da numismática em Rondônia e com atuação que ultrapassa as fronteiras do estado, Leandro tem contribuído para despertar o interesse de novos colecionadores, compartilhando conhecimento e incentivando a preservação da memória monetária.

“Ele me presenteou com moedas e cédulas quando minha coleção ainda estava começando. Sou muito grato por esse incentivo. Foi aí que percebi que poderia transformar aquela curiosidade em uma coleção de verdade”, conta Anderfábio.

Hoje, o acervo reúne 48 cédulas de 14 países, incluindo o Brasil. Apesar dos números, o colecionador afirma que o maior valor da coleção não está na raridade das peças. “O que mais me chama atenção é a quantidade de informações que uma cédula pode trazer. Ela conta a história de um país, mostra personagens importantes, símbolos nacionais, aspectos econômicos e culturais. Cada nota é praticamente um documento histórico.”

Embora ainda esteja aprendendo técnicas de conservação e catalogação, Anderfábio já planeja aprofundar seus estudos na área.

“Ainda me considero um colecionador amador. Quero estudar muito mais para, no futuro, me tornar um numismata. É um universo que exige leitura, pesquisa e dedicação.”

Nem todas as peças de sua coleção são raras, mas algumas possuem um valor sentimental inestimável. Há moedas recebidas como troco, presentes de familiares, amigos, professores e até de mochileiros estrangeiros que passaram por Porto Velho.

“Não é apenas o valor da moeda ou da cédula. Muitas delas carregam lembranças especiais. Tenho peças que ganhei de pessoas importantes na minha vida e isso não tem preço.”

Mesmo com o crescimento do mercado de colecionismo no Brasil, Anderfábio acredita que qualquer pessoa pode começar uma coleção sem grandes investimentos. “Eu comecei praticamente sem dinheiro. Ganhei moedas de presente e fui criando estratégias para ampliar a coleção. O mais importante é gostar do que faz e ter curiosidade para aprender.”

Para ele, o maior patrimônio proporcionado pela notafilia não pode ser medido financeiramente. “A maior riqueza que essa coleção me trouxe foi o conhecimento. Cada moeda e cada cédula me ensinam um pouco mais sobre história, geografia, economia e cultura. É isso que faz esse hobby ser tão especial.”

Cada cédula guarda uma história

Mais do que guardar papel-moeda, Anderfábio preserva fragmentos da memória de diferentes povos. Em um mundo cada vez mais digital, onde o dinheiro físico perde espaço para as transações eletrônicas, sua coleção permanece como um testemunho da história impressa em cada detalhe de uma cédula. Para quem vive esse universo, cada nota representa muito mais do que um valor de face: é um registro da identidade, da cultura e da trajetória de uma nação.

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