Cinema da Amazônia rondoniense retorna a Gramado com “Maior Que a Casa Toda”

Entre centenas de inscrições de todo o país, apenas 12 curtas-metragens foram escolhidos para disputar o tradicional Kikito. Desses, "Maior Que a Casa Toda" é o único representante da Região Norte.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Cinema da Amazônia rondoniense retorna a Gramado com “Maior Que a Casa Toda”
Neto Cavalcanti

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O cinema da Amazônia volta a ocupar um espaço de destaque no cenário nacional. O curta-metragem “Maior Que a Casa Toda”, dirigido por Fabiano Barros e Neto Cavalcanti, foi selecionado para a Mostra Competitiva de Curtas-Metragens Brasileiros da 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, um dos festivais de cinema mais importantes do mundo e uma das principais vitrines do audiovisual brasileiro.

Cinema da Amazônia rondoniense retorna a Gramado com "Maior Que a Casa Toda"
Neto Cavalcanti

Entre centenas de inscrições de todo o país, apenas 12 curtas-metragens foram escolhidos para disputar o tradicional Kikito. Desses, “Maior Que a Casa Toda” é o único representante da Região Norte, reafirmando a potência do cinema produzido na Amazônia e levando para a competição uma história sobre famílias atípicas, pertencimento, afeto e inclusão.

Cinema da Amazônia rondoniense retorna a Gramado com "Maior Que a Casa Toda"
Neto Cavalcanti

A seleção representa também um marco para o audiovisual de Rondônia. É a segunda vez que o estado conquista uma vaga na competição oficial de curtas do Festival de Gramado. A primeira ocorreu com “Ela Mora Logo Ali”, dirigido por Fabiano Barros, em codireção com Rafael Rogante. Agora, Fabiano retorna ao festival dividindo a direção com Neto Cavalcanti, consolidando a presença do cinema nortista em um dos mais importantes palcos do audiovisual brasileiro.
Para Neto Cavalcanti, a seleção possui um significado ainda mais especial por estar diretamente ligada à origem do filme.

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Neto Cavalcanti

“Em 2023, durante a viagem de volta de Gramado, compartilhei com o Fabiano uma ideia que já vinha amadurecendo. Aquela conversa o inspirou a escrever o roteiro de Maior Que a Casa Toda. Retornar agora ao festival com esse filme é a concretização de um sonho que começou naquela viagem.”

Além da conquista artística, a seleção reforça a importância das políticas públicas de incentivo à cultura para a descentralização da produção audiovisual brasileira. O curta foi realizado por meio da Lei Paulo Gustavo, iniciativa do Governo Federal operacionalizada em Rondônia pela SEJUCEL, e integra um movimento de fortalecimento do audiovisual na região impulsionado também pela Lei Aldir Blanc.

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Neto Cavalcanti

Produzir cinema na Amazônia continua sendo um grande desafio. As distâncias geográficas, os elevados custos logísticos, as dificuldades de deslocamento, a limitação da infraestrutura técnica e a necessidade constante de formação profissional fazem com que cada produção demande um esforço coletivo muito maior do que nos grandes centros produtores.

Para Fabiano Barros, a presença do filme em Gramado evidencia que o principal obstáculo para o crescimento do cinema amazônico nunca esteve na capacidade de seus realizadores, mas na ausência histórica de investimentos.

“Existe uma importância política e social muito grande quando obras da Região Norte chegam aos principais festivais nacionais e internacionais. Isso demonstra que nossos realizadores sempre tiveram capacidade para produzir cinema de qualidade. O que historicamente faltou foi investimento. Leis como a Paulo Gustavo e a Aldir Blanc mudaram essa realidade ao permitir que histórias produzidas na Amazônia encontrassem condições para serem realizadas e alcançassem grandes festivais. Quando há financiamento, o cinema da Região Norte responde com criatividade, identidade e excelência.”

O elenco reúne Regina Coeli, que interpreta Dália, e Agrael de Jesus, no papel de Nanã. A história acompanha ainda os irmãos Dudu, interpretado por Yan Sembarski, e Luquinha, vivido por Kel do Vale, personagens que conduzem uma narrativa sensível sobre amor, pertencimento e os desafios enfrentados por famílias atípicas.

“Maior Que a Casa Toda” é uma produção da Conexão Norte Produções, com distribuição da Pique Filmes. A produção executiva é assinada por João Leão e Emilly Lamarão, responsáveis por acompanhar o desenvolvimento e a viabilização do projeto.

A estreia mundial do curta acontecerá durante o 54º Festival de Cinema de Gramado, entre os dias 12 e 22 de agosto, quando disputará o Kikito ao lado de outras onze produções brasileiras.

Longe dos estereótipos e da fetichização da paisagem amazônica, “Maior Que a Casa Toda” reafirma a potência de histórias contadas por quem vive a região, revelando uma Amazônia marcada por pessoas, afetos e vivências, e não apenas por imagens que historicamente moldaram o imaginário sobre esse território.

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