Flavobacterium em peixes de cultivo acende alerta para piscicultura brasileira

Pesquisa identifica pela primeira vez no Brasil diferentes espécies de Flavobacterium em peixes cultivados para consumo humano e reforça medidas de biossegurança na piscicultura.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Flavobacterium em peixes de cultivo acende alerta para piscicultura brasileira
© Foto: FAO/ONU

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Pesquisadores identificaram, pela primeira vez no Brasil, diferentes espécies da bactéria Flavobacterium em peixes cultivados para consumo humano. O estudo, publicado na revista científica Microbial Pathogenesis, aponta que o microrganismo causa a columnariose, doença que afeta a saúde dos peixes e pode provocar prejuízos à piscicultura. Até o momento, não há evidências de transmissão da bactéria para seres humanos.

Flavobacterium é identificado pela primeira vez em peixes cultivados no Brasil

Um estudo publicado na revista científica Microbial Pathogenesis revelou, pela primeira vez no Brasil, a presença de diferentes espécies de bactérias do gênero Flavobacterium em peixes cultivados para consumo humano. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Zambeze, em Moçambique, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A descoberta representa um importante avanço para o monitoramento sanitário da piscicultura brasileira e reforça a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção contra doenças que afetam a produção aquícola.

O que é a columnariose?

As bactérias do gênero Flavobacterium são responsáveis pela columnariose, uma enfermidade considerada grave para a piscicultura.

A doença provoca lesões na pele, nas nadadeiras e nas brânquias dos peixes, comprometendo a respiração e podendo causar a morte dos animais em poucos dias, especialmente dos exemplares mais jovens.

Apesar do impacto sobre os peixes, os pesquisadores destacam que não existem evidências científicas de transmissão da doença para seres humanos.

Espécies analisadas

Durante a pesquisa foram analisadas amostras coletadas entre 2018 e 2024 em diferentes sistemas de criação de peixes.

As bactérias foram identificadas em espécies amplamente produzidas no país, entre elas:

Tilápia;
Tambaqui;
Pacu;
Lambari;
Pintado-da-amazônia.

A identificação ocorreu por meio de isolamento laboratorial e análises microbiológicas das colônias bacterianas.

Temperaturas favorecem a proliferação

Os pesquisadores verificaram que diversas espécies de Flavobacterium apresentaram maior crescimento em temperaturas próximas de 28°C, condição bastante comum em várias regiões brasileiras.

Outro fator observado foi a elevada capacidade dessas bactérias formarem biofilmes estruturas que funcionam como uma camada protetora e aumentam a sobrevivência do microrganismo em equipamentos, viveiros e instalações de produção.

Essa característica dificulta o controle da doença e amplia o risco de disseminação entre os peixes.

Impactos para a piscicultura

A pesquisa reforça que o principal impacto ocorre sobre a produção aquícola, podendo gerar perdas econômicas significativas para produtores devido à mortalidade dos peixes e à redução da produtividade.

Os autores defendem o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica nas fazendas aquícolas, além da adoção de protocolos mais rigorosos de biossegurança.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão:

Monitoramento constante

A identificação precoce da bactéria pode reduzir surtos e minimizar perdas na produção.

Melhoria da biossegurança

A higienização adequada de tanques, equipamentos e sistemas de cultivo pode dificultar a formação de biofilmes bacterianos.

Desenvolvimento de vacinas

Os pesquisadores também destacam a importância de investir em estudos voltados ao desenvolvimento de imunizantes específicos contra as espécies identificadas.

Não há risco comprovado para consumidores

Os cientistas ressaltam que o estudo não identificou risco de transmissão da bactéria para seres humanos.

O alerta é direcionado exclusivamente ao setor produtivo, visando preservar a saúde dos peixes, reduzir perdas econômicas e garantir a sustentabilidade da piscicultura nacional.

Próximos passos

Com a confirmação da presença dessas bactérias em espécies cultivadas no Brasil, pesquisadores defendem a ampliação do monitoramento sanitário e o fortalecimento das pesquisas para desenvolver métodos mais eficientes de prevenção e controle da columnariose.

A expectativa é que novas tecnologias contribuam para aumentar a segurança da produção aquícola brasileira e reduzir os impactos causados pela doença.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que é o Flavobacterium?

É um gênero de bactérias responsável por causar a columnariose, doença que afeta peixes cultivados.

A bactéria pode ser transmitida para seres humanos?

Até o momento, não há evidências científicas de transmissão para pessoas.

Quais peixes foram identificados com a bactéria?

Tilápia, tambaqui, pacu, lambari e pintado-da-amazônia.

Qual temperatura favorece a proliferação?

Os estudos indicam maior desenvolvimento em temperaturas próximas de 28°C.

Como reduzir os riscos na piscicultura?

Por meio de monitoramento sanitário, medidas de biossegurança e desenvolvimento de vacinas.

 

Com informações de Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil

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