STF mantém fim da aposentadoria de juízes punidos

Supremo confirma decisão que extingue a aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados condenados por faltas disciplinares graves.

Fonte: Francisco Rodrigo

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STF mantém fim da aposentadoria de juízes punidos
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/ARQUIVO

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O Supremo Tribunal Federal manteve a decisão que acaba com a aposentadoria compulsória como pena máxima para magistrados condenados por infrações disciplinares graves. A medida altera um modelo que permitia a juízes punidos continuarem recebendo vencimentos proporcionais após a condenação.

STF confirma fim da aposentadoria compulsória para juízes punidos

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (30) manter o entendimento que extingue a aposentadoria compulsória como punição máxima aplicada a magistrados condenados por infrações disciplinares graves, como venda de sentenças, assédio sexual, assédio moral e outras irregularidades.

A decisão confirma o entendimento apresentado pelo ministro Flávio Dino, relator da ação, em março deste ano. Segundo o ministro, a Reforma da Previdência de 2019 deixou de prever esse benefício previdenciário, tornando inadequada sua aplicação como sanção disciplinar.

O que muda com a decisão

Pelo novo entendimento, magistrados condenados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) não poderão mais ser afastados do cargo com direito à aposentadoria compulsória como punição máxima.

Após a condenação administrativa pelo CNJ, caberá à Advocacia-Geral da União (AGU) propor uma ação no STF para que a Corte analise a perda definitiva do cargo do magistrado.

A medida busca impedir que juízes condenados por faltas graves continuem recebendo remuneração após a aplicação da sanção disciplinar.

Recurso da PGR foi rejeitado

Durante o julgamento, a Primeira Turma rejeitou, por unanimidade, um recurso apresentado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

O órgão questionava a competência do Supremo para analisar a perda do cargo, defendia que a AGU não seria o órgão adequado para propor a ação e argumentava que a decisão poderia enfraquecer a garantia constitucional da vitaliciedade dos magistrados e membros do Ministério Público.

Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia acompanharam integralmente o entendimento do relator.

Como funcionava a punição

Até a decisão do STF, a aposentadoria compulsória era considerada a penalidade disciplinar mais severa prevista na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman).

Na prática, o magistrado deixava de exercer a função, mas continuava recebendo vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

A legislação também prevê outras punições disciplinares, como advertência, censura, remoção compulsória e disponibilidade.

CNJ aplicou a punição a 126 magistrados

Criado em 2005 para fiscalizar e disciplinar o Poder Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça informou que, ao longo de duas décadas, aplicou a aposentadoria compulsória a 126 magistrados por infrações disciplinares.

Com a nova interpretação do Supremo, o modelo de responsabilização passa a permitir que juízes condenados possam perder definitivamente o cargo, desde que haja decisão da própria Corte.

Impactos da decisão

A decisão representa uma mudança relevante no sistema disciplinar da magistratura brasileira, ao substituir uma punição frequentemente criticada por permitir que magistrados condenados continuassem recebendo remuneração após deixarem suas funções.

O novo procedimento reforça a responsabilização administrativa, mantendo a necessidade de análise judicial para a perda definitiva do cargo, em respeito às garantias constitucionais da magistratura.

Perguntas frequentes

O que decidiu o STF?

O Supremo confirmou o fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para magistrados condenados por faltas disciplinares graves.

O juiz perde automaticamente o cargo?

Não. Após a condenação pelo CNJ, a AGU deverá propor ação no STF para que a Corte decida sobre a perda definitiva do cargo.

O que era a aposentadoria compulsória?

Era uma punição que afastava o magistrado das funções, mas mantinha o pagamento de vencimentos proporcionais ao tempo de serviço.

Quantos magistrados receberam essa punição?

Segundo o CNJ, 126 magistrados foram condenados à aposentadoria compulsória desde a criação do órgão, em 2005.

 

Com informações de André Richter – Repórter da Agência Brasil

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