Entre memórias e constelações, a despedida de David Henrique se transforma em luz naqueles que seguem sua caminhada no IFRO. O estudante completaria 21 anos no próximo sábado. Aluno do IFRO, o jovem trilhava uma carreira promissora, mas teve seu sonho interrompido pelo trânsito fatídico e desrespeitoso de Porto Velho.
Na última segunda-feira (16), completaram-se sete dias do falecimento do estudante David Henrique Moraes de Souza, ocorrido no dia 10 de março, por volta do meio-dia. David era aluno do curso de Licenciatura em Física e, segundo o Diretório Acadêmico das Engenharias, atuava com dedicação como presidente do Centro Acadêmico de Física do Instituto Federal de Rondônia (IFRO).

Na quarta-feira (18), o Grupo de Pesquisa em Astronomia e Cosmologia do IFRO (GPAC), apontado como um dos maiores grupos de astronomia do estado de Rondônia, prestará uma homenagem em memória do estudante. A programação inclui uma observação celeste no campus Porto Velho Calama. À noite, haverá atividades no planetário, observação do céu com telescópios e, às 20h30, a soltura de balões brancos.
Por meio da rede social Asfroifro, a entidade convidou amigos, colegas e toda a comunidade. “Que todos que sentem sua ausência estejam presentes neste momento de lembrança e respeito a David Henrique Moraes de Souza”.

A página descreve David como um estudante engajado, alguém que marcava presença não apenas nas atividades acadêmicas, mas também nas relações que construía. Amigos do Instituto Federal de Rondônia o recordam como um jovem companheiro, dedicado aos estudos e sempre disposto a estar ao lado de quem precisasse. Com profunda comoção, compartilham a dor de sua ausência, ainda difícil de compreender.

Em nota, o AstroIFRO destacou: “Nos últimos dias, o AstroIFRO foi atravessado por uma dessas ausências. Nos despedimos de David Henrique Moraes de Souza, que fez parte do nosso grupo e da nossa caminhada. Quem conviveu com ele sabe que ninguém passa pela vida das pessoas sem deixar algo de si. Permanecem as conversas lembradas de repente, os gestos simples, os momentos que continuam existindo na memória. De muitas maneiras, seguimos presentes naquilo que deixamos nos outros. Talvez seja assim que a vida continua além da própria vida: nas lembranças, nas histórias compartilhadas e nas marcas que permanecem no coração de quem ficou. Aquilo que uma pessoa constrói nas relações humanas não desaparece; transforma-se em memória, em aprendizado e em presença silenciosa.”
Dois dias antes do trágico acidente, David escreveu sobre amizade, talvez sem saber que deixava um dos registros mais sensíveis de quem ele era. Em sua última postagem, tendo o Rio Madeira ao fundo, compartilhou palavras que hoje ganham ainda mais significado.
“A vida ficava mais leve quando temos com quem partilhar os bons momentos. Uma vez eu ouvi que nos apaixonamos por nossos amigos e que o amor da amizade é muito especial, isso nunca esteve tão certo”.
Agora, sua mensagem permanece como um legado de afeto, capaz de atravessar a dor e tocar todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo. Entre amigos e familiares, as homenagens revelam a dimensão de quem David foi em vida. “Tenham certeza que a estrela que mais brilhar será ele. Eu costumo comparar a trajetória acadêmica com o poema Uma viagem de trem: há embarques e desembarques, despedidas inesperadas que ninguém quer. Quando todos vocês embarcarem, que a parada principal sejam as poltronas marcadas da Colação de Grau. Saibam que ele estará apoiando o AstroIfro sempre”, pontuou Tânia Cordeiro.
“Você sempre foi um astro”, manifestou Maria Cecília.
“Sempre ficará no meu coração. Meu professor favorito”, escreveu Parixzzx.
Silva Marçal descreveu David como um jovem doce, que vivia seu melhor momento: feliz, inteligente e adorado por todos. Por onde passava, encantava. “Desde que recebi a notícia, meu coração está dilacerado. Meu sobrinho… tão jovem, com um futuro brilhante pela frente. Estava feliz com suas conquistas. Queria poder me teletransportar agora para acalentar o coração do seu pai, meu primo Edson (Doró), que sempre esteve ao meu lado em todos os momentos. Quanta saudade você vai deixar… para sua irmã Bia, para sua avó Maria, para seu tio Júnior, para sua avó Baiana, e para todos os familiares e amigos que tiveram o privilégio de conviver com você. Que sua mãezinha te receba em seus braços e que esse reencontro seja lindo. Vai com Deus, nosso pequeno Davi.”
Em 2021, no auge da pandemia de Covid-19, David Henrique, então com apenas 16 anos, enfrentou uma das maiores dores de sua vida: a perda repentina da mãe, vítima de uma doença que vitimou mais de 700 mil brasileiros.
Naquele momento tão difícil, ele e a irmã passaram por mudanças profundas em sua rotina. Inicialmente, ficaram sob os cuidados do padrasto e, em seguida, foram acolhidos por uma tia, com quem passaram a viver. Mesmo diante de uma perda tão marcante ainda na adolescência, David seguiu sua trajetória com força e sensibilidade, características que hoje são lembradas com ainda mais emoção por todos que acompanharam sua história.
O jovem seguia de bicicleta pela Avenida Jatuarana, na zona sul de Porto Velho, quando foi atropelado por volta do meio-dia do dia 10 de março. Segundo informações e imagens divulgadas, o acidente teria ocorrido após o estudante desviar de um caminhão da Coca-Cola, que supostamente realizava uma manobra de ré. David, que seguia logo atrás do veículo, acabou colidindo lateralmente e caiu, sendo atingido pelas rodas da caçamba, que, ao que tudo indica, trafegava em velocidade incompatível com a via. A Polícia Civil investiga as circunstâncias e responsabilidades do atropelamento que vitimou o jovem, David Henrique Moraes de Souza que completaria 21 anos no próximo sábado.






































