O Ministério da Educação (MEC) e o Inep divulgaram nesta quinta-feira, 26, os resultados da primeira etapa do Censo Escolar 2025, revelando um salto significativo na educação em tempo integral. Pela primeira vez, um em cada quatro alunos da rede pública brasileira estuda sete horas ou mais por dia. O índice de atendimento passou de 15,1% em 2021 para 25,8% em 2025, permitindo que o país finalmente cumpra a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE).
O crescimento foi impulsionado pelo Programa Escola em Tempo Integral, que desde 2023 injetou R$ 4 bilhões nas redes estaduais e municipais para a criação de novas vagas. Especialistas apontam que a modalidade é estratégica para reduzir as desigualdades sociais e melhorar o desempenho escolar, ao oferecer um currículo integrado que une ensino formal a atividades culturais, esportivas e sociais.
Expansão por etapas de ensino
O ensino médio foi o nível que apresentou a maior evolução proporcional, saltando de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025. Os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) também registraram um patamar elevado, com 23,7% das matrículas em tempo integral. Já nos anos iniciais e na pré-escola, os índices ficaram em 20,9% e 18,3%, respectivamente. Ao todo, a rede pública brasileira agora conta com mais de 8,8 milhões de estudantes nesta modalidade.
Qualidade e desafios pedagógicos
Embora os números sejam celebrados, a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, alerta que a permanência estendida deve vir acompanhada de projetos pedagógicos robustos. Segundo a especialista, o tempo extra precisa ser utilizado de forma estratégica, com currículos diversificados que dialoguem com a realidade de cada território. O objetivo é que a escola em tempo integral não seja apenas um depósito de alunos, mas um centro de experiências formativas ricas e significativas.
Os dados do Censo Escolar são fundamentais para o repasse de recursos do Fundeb e para a formulação de políticas públicas. Com a meta do PNE atingida, o próximo desafio do MEC será garantir a sustentabilidade financeira dessas vagas e monitorar o impacto real do tempo integral na proficiência dos alunos em língua portuguesa e matemática, bem como na redução das taxas de abandono escolar.








































