Brasília tornou-se o centro das discussões sobre educação básica no continente na segunda-feira, 23. Representantes governamentais, acadêmicos e entidades da sociedade civil iniciaram o “Encontro Internacional Alfabetização, Equidade e Futuro”, com o objetivo de formalizar uma rede permanente de cooperação técnica na América Latina. A meta central é garantir a alfabetização na idade certa — aos 7 anos —, etapa considerada o pilar para o desenvolvimento social, econômico e o fortalecimento da democracia na região.
O secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC), Leonardo Barchini, destacou durante a abertura que o Brasil tem utilizado o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) como um modelo de sucesso. O programa articula esforços entre União, estados e municípios para que o aprendizado ocorra até o fim do 2º ano do ensino fundamental. Em 2024, o país alcançou 59,2% de crianças alfabetizadas nesta etapa, e o objetivo é elevar esse índice para 80% até o ano de 2030.
Experiências na América Latina
Durante o evento, diferentes países compartilharam estratégias para superar o analfabetismo. Na Argentina, a província de Chaco implementou o Plano da Jurisdição da Alfabetização, distribuindo um livro para cada aluno e transformando a rotina de mais de 1.200 escolas. Já o México destacou a “Nova Escola Mexicana”, que prioriza a alfabetização em línguas indígenas originárias (são 68 no país) antes da transição para o espanhol, respeitando a diversidade cultural das comunidades.
Desafios e Tecnologia
Um dos pontos críticos discutidos foi a rotatividade política. Representantes do Peru alertaram que a troca excessiva de ministros — 26 nomes em dez anos — prejudica a continuidade das políticas de Estado. Além disso, o MEC brasileiro apontou que, embora o acesso à escola seja quase universal, a qualidade do ensino ainda esbarra na falta de bibliotecas e na necessidade urgente de formação continuada para os professores, especialmente no que tange à integração entre a alfabetização tradicional e a digital.
O encontro prossegue nesta terça-feira, 24, com painéis sobre o uso de dados para reduzir desigualdades educacionais. A expectativa é que, ao final do evento, seja assinado um documento de intenções para a troca constante de materiais didáticos e metodologias de avaliação entre os países vizinhos. Segundo David Saad, diretor do Instituto Natura, o foco regional nos próximos cinco anos será decisivo para destravar os resultados de toda a trajetória escolar na América Latina.










































