O constante aumento da temperatura na superfície do Oceano Atlântico tem modificado o regime de chuvas no Brasil e impulsionado desastres naturais. Especialistas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) explicam que o fenômeno eleva a taxa de evaporação. Esse processo lança grandes volumes de vapor de água na atmosfera, que se transformam em chuvas torrenciais ao encontrarem frentes frias.
Em alguns pontos da costa brasileira, a temperatura das águas chegou a registrar 3°C acima da média histórica nos últimos dias. Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, o problema é potencializado porque a própria atmosfera também está mais quente devido ao aquecimento global. Essa combinação cria um ambiente favorável para eventos severos, como os que atingiram recentemente o litoral paulista e Minas Gerais.
Aceleração do aquecimento e ondas de calor
Dados de satélite da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa) confirmam que o aquecimento dos oceanos acelerou drasticamente nas últimas décadas. Um estudo publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences aponta que 2025 estabeleceu um novo recorde de calor oceânico. Esse aquecimento é alimentado diretamente pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre.
Além do aquecimento global constante, pesquisadores monitoram as “ondas de calor marinho”. A professora Ilana Wainer, do Instituto Oceanográfico da USP, explica que essas ondas são elevações localizadas e temporárias da temperatura. Embora o tema ainda seja objeto de novos estudos, já é possível afirmar que essas anomalias tornam as tempestades muito mais severas quando combinadas a outros fatores climáticos.
Rios voadores e o impacto do desmatamento
Enquanto o excesso de umidade oceânica causa inundações em certas áreas, o desmatamento da Amazônia provoca secas severas em outras regiões. A degradação ambiental interrompe o fluxo dos chamados “rios voadores”, que transportam o vapor da floresta para o restante do país. Sem a vegetação nativa, o solo evapora menos água, gerando uma distribuição irregular e perigosa das chuvas no território nacional.
Causa: Maior evaporação oceânica devido ao calor das águas.
Consequência: Chuvas mais volumosas e concentradas em curtos períodos.
Fator agravante: Desmatamento reduz a umidade vinda do interior do continente.
Recorde: Temperaturas oceânicas globais atingiram níveis históricos em 2025.
O cenário atual estabelece um ciclo vicioso onde a falta de vegetação resseca o solo, diminuindo ainda mais as chances de chuvas regulares. Especialistas reforçam que a preservação de biomas como a Amazônia é fundamental para equilibrar a umidade que chega do Atlântico. Sem esse controle natural, o Brasil tende a enfrentar verões cada vez mais marcados por extremos de inundações e estiagens prolongadas.









































