A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e as principais associações setoriais do Brasil reagiram com uma mistura de otimismo e prudência à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou as tarifas globais impostas por Donald Trump. O levantamento da CNI aponta que a medida isenta US$ 21,6 bilhões em produtos brasileiros que estavam sob forte pressão tributária.
Apesar da vitória jurídica, o cenário permanece complexo. O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que a decisão foca especificamente em tarifas baseadas em poderes de emergência (Ieepa). Outras barreiras, como a Seção 232 para aço e alumínio, seguem em vigor, mantendo o setor industrial em alerta.
O setor de café solúvel, um dos mais prejudicados, celebrou a retomada da segurança jurídica. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) afirmou que a medida corrige distorções que afetavam a competitividade do produto processado, enquanto as indústrias de plástico e têxtil veem uma oportunidade para reequilibrar o fluxo comercial bilateral.
A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) projeta que, caso o cenário se estabilize, as exportações de pescados para os EUA — com foco na tilápia — podem dobrar. No entanto, a euforia é freada pelo anúncio imediato de Trump sobre uma nova tarifa global de 10% por 150 dias, fundamentada na Seção 122 da legislação americana, para combater desequilíbrios no balanço de pagamentos.
Para a indústria têxtil (Abit), a situação exige monitoramento constante, já que os EUA são o principal destino de seus produtos e as taxas já são naturalmente elevadas. O setor produtivo brasileiro agora aguarda a resposta do governo federal e os próximos passos diplomáticos para garantir que o alívio conquistado na justiça não seja anulado por novas manobras administrativas da Casa Branca.










































