A Ucrânia abandona ambição de ser da OTAN em um movimento de compromisso para tentar encerrar a guerra com a Rússia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou a renúncia da meta em troca de garantias de segurança ocidentais, antes de conversas com enviados dos Estados Unidos em Berlim.
A medida representa uma mudança significativa para o país, que tinha a aspiração de ingressar na OTAN incluída em sua Constituição como salvaguarda contra ataques russos. A decisão atende, em parte, a um dos objetivos centrais de guerra da Rússia.
Zelensky afirmou neste domingo, 14 de dezembro de 2025, que as garantias de segurança dos EUA, da Europa e de outros parceiros representavam um compromisso por parte da Ucrânia. “Desde o início, o desejo da Ucrânia era aderir à OTAN, pois essas são garantias reais de segurança. Alguns parceiros dos EUA e da Europa não apoiaram essa direção”, disse o presidente.
“Assim, hoje, as garantias bilaterais de segurança entre a Ucrânia e os EUA, as garantias semelhantes ao Artigo 5 para nós por parte dos EUA e as garantias de segurança de pares europeus, bem como de outros países — Canadá, Japão — são uma oportunidade para evitar outra invasão russa”, completou Zelensky, acrescentando que as garantias devem ser juridicamente vinculativas.
Exigências da Rússia e Perspectivas de Negociação
O presidente russo, Vladimir Putin, tem exigido repetidamente que a Ucrânia renuncie oficialmente às suas ambições de ingressar na OTAN, se declare um país neutro, e retire suas tropas dos cerca de 10% do Donbas que Kiev ainda controla. Moscou também exige que nenhuma tropa da OTAN seja estacionada em território ucraniano. Fontes russas indicaram que Putin deseja um compromisso “por escrito” das principais potências ocidentais contra a expansão da aliança para o leste.
Zelensky havia pedido anteriormente uma paz “digna” e garantias de que a Rússia não atacaria a Ucrânia novamente. Ele se preparava para se encontrar com enviados dos EUA e aliados europeus em Berlim para tentar pôr fim ao conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Um funcionário norte-americano afirmou que o enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, estavam viajando para a Alemanha para conversas com ucranianos e europeus. A decisão de enviar Witkoff sinaliza que Washington vê uma chance de progresso.
Zelensky indicou que a Ucrânia, os europeus e os EUA estão analisando um plano de 20 pontos e que um cessar-fogo ao longo das atuais linhas de frente seria uma opção razoável. Ele ressaltou, no entanto, que Kiev não mantém conversas diretas com a Rússia.
Cúpula em Berlim e Alerta da OTAN
O chanceler alemão, Friedrich Merz, está recebendo Zelensky e líderes europeus para uma cúpula em Berlim nesta segunda-feira. Reino Unido, França e Alemanha têm trabalhado para aprimorar as propostas dos EUA, que em um rascunho anterior pediam que Kiev cedesse mais território, abandonasse a ambição de ingressar na OTAN e aceitasse limites em suas forças armadas.
Os aliados europeus descreveram o momento como “crítico” para o futuro da Ucrânia. Eles buscam reforçar as finanças de Kiev, cogitando utilizar ativos congelados do banco central russo para financiar o orçamento militar e civil ucraniano.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em discurso na quinta-feira, disse que a organização deveria estar “preparada para a escala de guerra que nossos avós ou bisavós sofreram” e afirmou que “somos o próximo alvo da Rússia”. O Kremlin rejeitou as alegações, com o porta-voz Dmitry Peskov classificando a declaração como irresponsável.









































