Pesquisadoras utilizam fungos subterrâneos para recuperar solos degradados e conter crise climática

Estratégia apresentada durante a COP17 na Mongólia aposta em redes micorrízicas e áreas cercadas para restaurar pastagens, reter carbono e combater a desertificação.

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Pesquisadoras utilizam fungos subterrâneos para recuperar solos degradados e conter crise climática
© Tomas Munita/SPUN

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Invisíveis a olho nu e espalhados em um sistema subterrâneo complexo, fungos são a aposta de um grupo de cientistas para restaurar terras degradadas, combater a desertificação e a crise climática. A possibilidade foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren durante encontro na Embaixada da França em Ulaanbaatar, na Mongólia, no contexto da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação.

Conhecidos como fungos micorrízicos por estabelecerem simbiose com raízes das plantas, esses organismos formam extensas redes no solo. Enquanto recebem carbono produzido pelas plantas durante a fotossíntese, ajudam-nas a obter água e nutrientes essenciais como fósforo e nitrogênio. As redes também contribuem para agregar as partículas do solo, reduzir a erosão e aumentar a resistência das plantas à seca e a outros estresses ambientais.

A estratégia testada durante os estudos na Mongólia consiste em cercar pequenas áreas de pastagem para impedir temporariamente a entrada de animais e a ação humana. Essas áreas protegidas funcionam como refúgios de biodiversidade subterrânea e fontes de fungos locais para projetos de restauração. A bióloga evolucionista Toby Kiers, diretora-executiva da Society for the Protection of Underground Networks, comparou a iniciativa a um banco de sementes, mas voltado para fungos, criando uma infraestrutura viva que mantém o solo unido.

Pastagens em recuperação

A estratégia está em fase experimental sob a liderança da pesquisadora local Burenjargal Otgonsuren. A especialista instalou 6 áreas cercadas em regiões de estepe e deserto para interromper temporariamente a pressão do pastoreio. Os primeiros resultados, obtidos em 2025, mostraram que a vegetação dentro das áreas protegidas apresentava maior altura do que as plantas encontradas fora das cercas.

A pesquisadora pretende acompanhar os experimentos por pelo menos 3 anos. Segundo Burenjargal Otgonsuren, pesquisas indicam que até 91% das pastagens degradadas da Mongólia poderiam ser recuperadas em algum grau, desde que haja foco na saúde do solo e na proteção da biodiversidade que vive nele.

Biodiversidade desconhecida

A dimensão da biodiversidade nas estepes mongóis surpreendeu as cientistas. Nas amostras coletadas, cerca de 90% das sequências de DNA fúngico analisadas pertenciam a espécies ainda desconhecidas pela ciência. Foram identificadas 541 unidades taxonômicas associadas aos fungos micorrízicos apenas na região do Gobi, muitas delas altamente adaptadas às condições locais.

Para Toby Kiers, a descoberta reforça a necessidade de mudar a forma como as políticas ambientais tratam a biodiversidade, priorizando também os organismos subterrâneos. A organização já trabalha com pesquisadores em diferentes partes do mundo para mapear essas redes e integrar os fungos aos instrumentos de combate à desertificação.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual é o papel dos fungos micorrízicos na recuperação dos solos?
Eles formam redes subterrâneas que ajudam as plantas a obter água e nutrientes, reduzem a erosão e aumentam a resistência contra a seca.

Como funciona a estratégia testada na Mongólia?
Pequenas áreas de pastagem são cercadas temporariamente para bloquear a ação humana e de animais, servindo como refúgios de biodiversidade subterrânea.

Qual foi o percentual de espécies desconhecidas encontradas nas amostras?
Cerca de 90% das sequências de DNA fúngico analisadas pertenciam a espécies ainda desconhecidas pela ciência.

 

Com informações de Rafael Cardoso* – Enviado Especial

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