Entre incertezas e temor, cientistas alertam que El Niño pode levar 2026 e 2027 aos anos mais quentes da história

Sem consenso sobre a real intensidade do fenômeno, especialistas acompanham o aquecimento anormal do Pacífico e temem impactos climáticos extremos, com secas severas, incêndios florestais, enchentes e recordes globais de temperatura.

Fonte: Emerson Barbosa | Jornalista - 50

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Entre incertezas e temor, cientistas alertam que El Niño pode levar 2026 e 2027 aos anos mais quentes da história

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Fenômeno climático previsto para os próximos meses preocupa cientistas diante do avanço do aquecimento global, da elevação das temperaturas dos oceanos e do risco de secas severas, enchentes históricas e incêndios florestais em diferentes regiões do planeta.

Nada é tão devastador quanto aquilo que os cientistas ainda não conseguem prever com exatidão. O El Niño deste ano poderá fazer com que a humanidade sinta, na própria pele, os efeitos climáticos da destruição provocada pelo homem ao longo das últimas décadas.

Há mais de 60 anos, cientistas alertam governantes sobre a necessidade de redobrar os cuidados com o planeta, principalmente em relação ao desmatamento e à emissão desenfreada de gases poluentes lançados na atmosfera desde a Revolução Industrial. O tempo passou, mas muitos desses alertas foram ignorados. Hoje, os especialistas já não falam apenas em prevenção: relatam, cada vez mais, as catástrofes que atingem o planeta justamente porque a humanidade deixou de fazer, há décadas, o dever de casa ambiental.

O exemplo mais próximo é o fenômeno El Niño, que, segundo cientistas e meteorologistas, deve começar a se manifestar entre o fim de maio e o início de junho. Sua chegada vem sendo cercada por preocupação e temor. O motivo está no aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, próximo à linha do Equador.

Diagnosticar a intensidade do fenômeno tem sido uma tarefa difícil até mesmo para os mais avançados sistemas de monitoramento climático já desenvolvidos pelo homem, tamanha é a instabilidade apresentada neste ano. Há especialistas que afirmam que o El Niño poderá “redesenhar os mapas climáticos globais”, provocando enchentes, secas severas e incêndios florestais em diferentes partes do planeta, tudo isso em meio ao agravamento do aquecimento global.

Entre incertezas e temor, cientistas alertam que El Niño pode levar 2026 e 2027 aos anos mais quentes da história

O temor cresce porque os eventos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos. Ondas de calor históricas, estiagens prolongadas, tempestades violentas e queimadas recordes já fazem parte da realidade de diversas regiões do mundo. Para muitos cientistas, o El Niño poderá atuar como um catalisador de uma crise climática que já está em curso.

O evento poderá, segundo especialistas, ser classificado como um “Super El Niño”, com impactos severos em escala global. Os modelos usados para medir a temperatura das águas do Pacífico Equatorial, onde o fenômeno se desenvolve, vêm apontando para um cenário extremo. Modelos climáticos europeus reforçam essa possibilidade.

Um Super El Niño ocorre quando as temperaturas do oceano ficam mais de 2 graus acima da média. Alguns modelos computacionais normalmente confiáveis, como o conjunto de modelos europeus, estão projetando exatamente esse resultado para esta edição”, explicou o meteorologista André Freedman, da CNN Clima.

Na prática, o El Niño funciona de forma oposta à La Niña. Enquanto o fenômeno frio favorece chuvas em algumas regiões, o El Niño impulsiona cenários de calor extremo, secas severas e incêndios florestais. Na Amazônia, o ano de 2024 já demonstrou parte desse cenário, com rios atingindo níveis historicamente baixos e queimadas que devastaram áreas inteiras da floresta, muitas delas provocadas pela ação humana.

Entre incertezas e temor, cientistas alertam que El Niño pode levar 2026 e 2027 aos anos mais quentes da história

Além dos impactos ambientais, os prejuízos econômicos também entram na conta. Agricultura, abastecimento de água, produção de energia e transporte fluvial estão entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno.

Os cientistas explicam que, para a ocorrência do El Niño, é necessário um processo conhecido como “acoplamento oceano-atmosfera”. Isso significa que oceano e atmosfera precisam interagir de maneira específica para que o fenômeno ganhe força.

Segundo o cientista climático Nat Johnson, em entrevista recente à CNN, “neste momento, enormes volumes de água excepcionalmente quente estão se espalhando sob a superfície do oceano, do Pacífico tropical ocidental para o oriental, onde essa água sobe lentamente à superfície, num claro precursor do El Niño. Áreas periódicas de vento soprando de oeste para leste têm ajudado a transportar essa água, num fenômeno conhecido como rajadas de vento oeste”.

Mais do que um fenômeno natural, o El Niño deste ano surge como um lembrete de que a natureza responde, cada vez com mais intensidade, às agressões causadas pela própria humanidade.

O que se sabe até o momento é que 2026 e 2027 podem entrar para a história como alguns dos anos mais quentes já registrados, dependendo diretamente da intensidade do fenômeno que começa a se formar entre o fim deste mês e o início de junho. O comportamento do El Niño também deverá responder se as temperaturas globais irão superar os recordes monitorados desde o século XIX, quando os dados climáticos passaram a ser oficialmente registrados.

Diante de tantas incertezas, uma constatação parece inevitável: o homem fez pouco o dever de casa ambiental e, agora, poderá pagar para ver as consequências. Com informações de CNN Clima Internacional.

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