Aumento da mistura de etanol na gasolina divide avaliações entre MPF e setor sucroenergético

Decisão do Conselho Nacional de Política Energética eleva percentual para 32%, gerando questionamentos judiciais sobre impactos mecânicos e defesa da segurança energética nacional.

Publicado em

Aumento da mistura de etanol na gasolina divide avaliações entre MPF e setor sucroenergético
© Rovena Rosa/Agência Brasil

Compartilhe esta notícia:

Nos siga no Google News

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética, o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos. Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira. Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina não demonstraram de forma conclusiva os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos. Na ação, o órgão aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados. Os procuradores argumentam, ainda, que as análises usadas foram elaboradas para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32, cobrando também avaliações sobre impactos ambientais indiretos e perícia técnica independente.

Argumentos do setor sucroenergético

Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, o aumento do percentual de etanol na gasolina é positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de combustível fóssil. A entidade destaca que não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo ou funcionamento dos motores em decorrência da adoção do E32.

A instituição lembra que a medida foi avaliada em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, abrangendo veículos leves e motocicletas fabricados entre 1994 e 2024. Além dos aspectos técnicos, a Unica estima que o país deixará de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano, ajudando a conter custos para o consumidor final.

Perguntas Frequentes

Para qual percentual foi elevada a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina pelo CNPE?

A proporção foi aumentada de 30% para 32%, configurando o padrão conhecido como E32.

Quais são os principais riscos apontados pelo Ministério Público Federal na ação civil pública?

O MPF alerta para possíveis danos como corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção, sobretudo em motos e carros antigos.

O que aponta a defesa da Unica sobre os testes realizados com o novo combustível?

A entidade afirma que os testes do Instituto Mauá de Tecnologia não detectaram prejuízos ao desempenho, consumo ou partida a frio em veículos fabricados entre 1994 e 2024.

 

Com informações de Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil

NEWS QUE VOCÊ VAI QUERER LER

DESTAQUE NEWS

EMPREGOS E CONCURSOS

POLÍTICA

POLÍCIA

ÚLTIMAS NOTÍCIAS