As vendas de títulos públicos para pessoas físicas atingiram o patamar histórico de 12,02 bilhões de reais em janeiro de 2026. O resultado, divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Tesouro Nacional, representa o maior volume mensal já registrado na história do programa. O montante é 26,9% superior ao registrado em dezembro e supera em 37,21% o desempenho de janeiro do ano passado, consolidando o interesse do pequeno investidor pela renda fixa.
O principal motor desse crescimento é o atual nível da Taxa Selic, elevada para 15% ao ano. Com os juros em patamares elevados, os títulos atrelados à taxa básica foram os mais procurados, representando 48,9% do total vendido. Em seguida, aparecem os papéis corrigidos pela inflação (IPCA), com 28,2%, atraindo investidores que buscam proteção contra a expectativa de alta dos preços nos próximos meses.
Perfil do investidor e novos títulos
O programa Tesouro Direto tem se consolidado como uma ferramenta para pequenos poupadores. Em janeiro, 77,5% das operações de venda foram de valores até 5 mil reais, sendo que as aplicações de até 1 mil reais responderam por mais da metade do total. O número de investidores ativos, aqueles que possuem operações em aberto, cresceu 14,73% nos últimos 12 meses, atingindo a marca de 3,4 milhões de pessoas.
Novas modalidades focadas em objetivos específicos também tiveram participação no balanço. O Tesouro Renda+, destinado ao financiamento de aposentadorias, respondeu por 6,4% das vendas. Já o Tesouro Educa+, criado para custear o ensino superior, atraiu 1,5% do volume total. A maioria dos investidores demonstrou preferência por papéis de prazo médio, com vencimentos entre cinco e dez anos.
Crescimento do estoque e captação
Com o recorde de vendas superando os resgates em 4,88 bilhões de reais, o estoque total do Tesouro Direto saltou para 220,24 bilhões de reais ao final de janeiro. Esse valor é 37,75% maior do que o registrado no mesmo período de 2025. O crescimento reflete não apenas a entrada de novos recursos, mas também a correção dos valores existentes pelas taxas de juros acumuladas.
Selic: Títulos atrelados aos juros básicos dominam as preferências.
IPCA: Papéis vinculados à inflação seguem atrativos para proteção real.
Acessibilidade: Investimento médio por operação ficou em 9.207,33 reais.
Objetivo: Recurso captado ajuda o governo a financiar a dívida pública.
Criado em 2002 para democratizar o acesso aos títulos públicos, o programa permite a compra direta via internet com baixo custo. O investidor paga apenas uma taxa para a B3, descontada nas movimentações. O sucesso de janeiro reafirma o Tesouro Direto como um dos principais destinos da poupança dos brasileiros em cenários de juros altos e incerteza inflacionária.









































