O custo do crédito no Brasil iniciou o ano de 2026 em trajetória de alta, refletindo o aperto monetário conduzido pelo Banco Central. Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nesta quarta-feira (25), a taxa média de juros para famílias alcançou 61% ao ano em janeiro, um salto de 6,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado. O movimento atinge tanto consumidores quanto o setor produtivo, encarecendo empréstimos e financiamentos.
No segmento de empresas, a taxa média encerrou o mês em 25,2% ao ano. O aumento foi puxado especialmente pelo cheque especial e pelo capital de giro de longo prazo. De acordo com o Banco Central, essa elevação é uma consequência direta da manutenção da Taxa Selic em 15% ao ano, nível utilizado para tentar conter a inflação ao desestimular o consumo e encarecer a circulação de dinheiro na economia.
Impacto severo no cartão de crédito
O cartão de crédito continua sendo o grande vilão do orçamento doméstico. Embora o rotativo tenha apresentado um recuo técnico, sua taxa permanece em estratosféricos 424,5% ao ano. O destaque negativo do mês foi o cartão parcelado, que subiu para 194,9% ao ano. Outras modalidades populares, como o financiamento de veículos e o crédito pessoal não consignado, também registraram altas superiores a 1 ponto percentual no período.
O spread bancário — a diferença entre o que o banco paga para captar recursos e o que cobra do cliente final — também subiu, situando-se em 21,9 pontos percentuais. Essa margem, que cobre riscos de inadimplência e custos operacionais, teve um acréscimo de 3,5 pontos percentuais em 12 meses. O cenário indica que as instituições financeiras estão repassando integralmente a alta dos juros básicos, além de precificar o risco de calotes.
Inadimplência e endividamento recorde
Com o crédito mais caro, a capacidade de pagamento do brasileiro está sob pressão. A inadimplência geral atingiu 4,2% em janeiro, sendo que no crédito para as famílias esse índice sobe para 5,2%. O endividamento das famílias brasileiras fechou o último ano em 49,7%, o que significa que quase metade da renda anual está comprometida com algum tipo de passivo financeiro, dificultando a retomada do consumo.
Selic: Mantida em 15% ao ano, maior nível desde meados de 2006.
Rotativo: Segue com a maior taxa do mercado (424,5% ao ano).
Comprometimento: Brasileiros usam, em média, 29,2% da renda mensal para pagar dívidas.
Estoque: O total de empréstimos no Brasil soma R$ 7,115 trilhões.
Apesar das taxas elevadas, o estoque total de empréstimos cresceu 10,1% em um ano. Especialistas alertam que o alto comprometimento da renda pode gerar um efeito dominó na economia, onde o consumo trava e a recuperação do PIB fica limitada. O Banco Central monitora os dados para decidir os próximos passos da política monetária e evitar que o endividamento se torne insustentável para a maioria da população.









































