O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) encerrou o mês de janeiro praticamente estável, mas em patamar recorde, atingindo R$ 8,641 trilhões. De acordo com os dados apresentados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (25), houve uma alta de 0,07% em relação a dezembro. O principal fator para a manutenção do endividamento em níveis elevados foi a apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros, que compensou o alto volume de vencimentos de papéis prefixados típicos do início de ano.
A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, exerce uma pressão contínua sobre as contas públicas. Mesmo quando o governo resgata mais títulos do que emite — como ocorreu em janeiro com um resgate líquido de R$ 67,02 bilhões —, a correção mensal dos juros sobre o estoque existente eleva o montante final. O Plano Anual de Financiamento (PAF) projeta que a dívida pode chegar a R$ 10,3 trilhões até o final de 2026.
Queda na dívida externa e o colchão de liquidez
Enquanto a dívida interna avançou, a Dívida Pública Federal externa (DPFe) registrou queda de 4,75%, fechando janeiro em R$ 310,59 bilhões. Esse recuo foi influenciado diretamente pela desvalorização do dólar frente ao real no último mês. Por outro lado, o chamado “colchão da dívida” — a reserva financeira para emergências — caiu para R$ 1,085 trilhão, o menor nível de cobertura de vencimentos desde março do ano passado.
A reserva atual garante o pagamento de 6,77 meses de vencimentos futuros. Para os próximos 12 meses, o Tesouro Nacional prevê o vencimento de R$ 1,424 trilhão em títulos federais. A expectativa técnica é de recomposição desse colchão nos próximos meses, aproveitando janelas de menor concentração de vencimentos de papéis no mercado financeiro.
Perfil dos investidores e composição
A composição da dívida sofreu alterações devido ao vencimento de títulos prefixados. Os papéis atrelados à taxa Selic agora representam 49,42% do estoque total, seguidos pelos títulos corrigidos pela inflação (26,35%). Investidores estrangeiros aumentaram levemente sua participação, detendo 10,69% da dívida interna, sinalizando uma redução nas tensões do mercado financeiro em janeiro.
Selic: Participação subiu de 48,25% para 49,42%.
Estrangeiros: Participação subiu para 10,69% do estoque.
Prazo Médio: Oscilou positivamente para 4,03 anos.
Projeção 2026: Estoque entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
O prazo médio de renovação da dívida manteve-se estável em 4 anos, o que demonstra a manutenção da confiança dos investidores na capacidade de pagamento do governo. O Tesouro Nacional utiliza o endividamento para financiar gastos públicos e honrar compromissos, oferecendo em troca diferentes tipos de rentabilidade aos compradores dos títulos.









































