O Ministério da Saúde anunciou, nesta quinta-feira (5), a implementação de um serviço de reconstrução dentária integral e gratuito para mulheres vítimas de violência por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida visa restaurar não apenas a saúde bucal, mas também a dignidade e a autoestima de mulheres que sofreram agressões físicas. O pacote de serviços inclui procedimentos complexos como implantes, próteses, restaurações e tratamentos ortodônticos.
A ação integra o plano de trabalho para o enfrentamento ao feminicídio no Brasil, lançado oficialmente nesta semana. Para viabilizar os atendimentos, o governo federal investirá em alta tecnologia, com o reforço de 500 impressoras 3D e scanners odontológicos. Esses equipamentos serão instalados em unidades móveis de saúde bucal, permitindo a confecção ágil de próteses e restaurações em diferentes regiões do país, inclusive em áreas de difícil acesso.
Modernização do atendimento e unidades móveis
A estratégia de capilaridade do programa conta com a expansão da frota de veículos odontológicos. Em 2025, o ministério já havia distribuído 400 novas unidades e a previsão é que outros 800 veículos entrem em circulação até o final de 2026. Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou a importância do engajamento masculino e dos profissionais de saúde na luta contra a violência de gênero, destacando que a reparação física é um passo crucial no processo de reabilitação das vítimas.
Além da assistência odontológica, o ministério reforçou que outras frentes estão em andamento, como o pedido formal à Organização Mundial da Saúde (OMS) para a criação de um código específico de feminicídio na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Essa mudança técnica é considerada fundamental para dar visibilidade estatística aos crimes de gênero e qualificar as notificações que hoje entram no sistema sob categorias genéricas de agressão.
A reconstrução dentária é vista por especialistas como uma política de saúde pública humanizada, pois muitas vítimas de violência doméstica sofrem traumas faciais que impedem o convívio social e a reinserção no mercado de trabalho. Com o tratamento gratuito, o SUS busca fechar o ciclo de assistência que começa no acolhimento de emergência e se estende até a plena recuperação física e psicológica da mulher.











































