A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, protocolou um pedido junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (5) para ter acesso às provas que fundamentaram sua prisão preventiva. O empresário foi detido ontem durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. Os advogados alegam que não tiveram acesso prévio aos elementos que embasaram a decisão do ministro André Mendonça, que cita crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de sistemas.
O advogado Edson Gushiken, que representa Vorcaro, questiona pontos específicos da investigação da Polícia Federal (PF). A defesa solicita a identificação das datas das mensagens atribuídas ao banqueiro e contesta a existência de um grupo de mensagens denominado “A Turma”, supostamente utilizado para coordenar atividades ilícitas. Além disso, os advogados pedem provas sobre o bloqueio de R$ 2,2 bilhões em uma conta atribuída ao pai do empresário.
Estrutura de vigilância e tentativa de suicídio em Minas
As investigações da PF apontam que o grupo mantinha uma estrutura voltada para a vigilância e intimidação de desafetos financeiros. Segundo o inquérito, Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, seria o responsável por pagamentos mensais de R$ 1 milhão a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário”. Mourão é descrito como o executor de atividades de monitoramento e neutralização de situações sensíveis aos interesses do banqueiro.
O caso ganhou contornos dramáticos após a prisão de Mourão na Superintendência da PF em Belo Horizonte. De acordo com a corporação, o investigado tentou tirar a própria vida na cela e foi reanimado por policiais. Ele segue internado no Hospital João XXIII, em estado grave e com suspeita de morte cerebral. A defesa de Mourão acompanha o monitoramento médico contínuo na capital mineira.
Daniel Vorcaro já havia sido preso em 2025, mas respondia ao processo em liberdade monitorada após decisão do TRF-1. Esta nova fase da operação foca em crimes mais complexos, envolvendo a infiltração em sistemas governamentais. O STF deve analisar o pedido da defesa nas próximas horas, enquanto a Polícia Federal segue analisando materiais apreendidos nas sedes do Banco Master e em endereços ligados aos sócios.










































