REGRA
Na política, há uma regra não escrita que costuma separar líderes duradouros de aventuras efêmeras.
REGRA 2
Ninguém cresce atropelando quem lhe abriu as portas. E é exatamente nesse terreno delicado que se encontra o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro.
APRESSADO
É inegável que Flori vem buscando protagonismo estadual. Entrevistas, agendas ampliadas, discursos de viés regional e uma narrativa cuidadosamente construída de “gestor exemplar” indicam um movimento calculado.
PRESENÇA
Ocupar espaço antes que outros o façam. O problema não é ambição — política se faz com ambição —, mas a forma como ela se manifesta.
RISCO
Quando as manchetes passam a soar como campanha antecipada, quando a construção de imagem supera a construção de alianças, acende-se um alerta.
SOBREAVISO
E esse alerta parece ter sido emitido com clareza quando o deputado Rodrigo Camargo anunciou sua pré-candidatura ao governo, já sinalizando que deve se filiar em breve ao Podemos.
COMUNICADO
Não houve arbitrariedade. Camargo teria comunicado previamente ao presidente estadual da legenda, Léo Moraes, sua intenção de levar o nome à convenção.
GENTE GRANDE
Ou seja: respeitou o rito político e a hierarquia partidária. Algo que, para muitos, soou como um recado elegante — mas firme — a quem eventualmente esteja abrindo asas além do combinado.
CONSTRUÇÃO
Léo Moraes é, hoje, a principal liderança do Podemos em Rondônia. Na capital e no estado, sua presença é consolidada.
ILAÇÃO
Isso não é opinião — é fato político. Ignorar essa realidade ou tentar construir uma trajetória paralela, sem alinhamento estratégico, é um erro primário.
POUCA EXPRESSÃO
Flori chegou à capital com um capital simbólico restrito. Fora do círculo da Polícia Federal — e olhe lá — seu reconhecimento político ainda está em formação.
PRESUNÇÃO
Querer, nesse estágio, se posicionar como liderança natural ao governo pode soar mais como voluntarismo do que como projeto sólido.
NÃO É MONÓLOGO
Política é alinhamento. É articulação. É respeito à estrutura. Não é corrida individual.
GRANDE EXEMPLO?
Há também um contraste evidente: enquanto manchetes patrocinadas vendem uma imagem de liderança extraordinária, a política local de Vilhena guarda críticas, desgastes e questionamentos que ainda não ganharam o mesmo holofote.
RESPINGO
E aqui reside outro risco estratégico: quando os equívocos administrativos começarem a circular com mais intensidade — e toda gestão os tem —, quem absorverá o impacto? O partido. E, sobretudo, sua principal liderança estadual.
RESPINGO 2
Se a gestão de Flori enfrentar turbulências mais sérias, será inevitável que o desgaste respingue em Léo Moraes.
LIMPO
E Léo não pode arranhar sua imagem consolidada, especialmente na capital, por movimentos precipitados de quem ainda está consolidando o próprio espaço.
LIÇÃO CLÁSSICA
A história política é farta de exemplos de “criaturas” que se acharam maiores que o “criador” e acabaram no esquecimento.
CAIU RAPIDINHO
O ex-presidente Fernando Collor, por exemplo, emergiu com forte apadrinhamento político e rapidamente rompeu pontes acreditando em uma liderança isolada. O isolamento político foi decisivo para sua queda.
TEM MAIS
Outro exemplo simbólico é Jânio Quadros, que acreditou que seu capital pessoal bastaria para governar acima das forças partidárias.
DESMORONOU
O resultado foi um mandato interrompido e um legado marcado mais pela ruptura do que pela construção.
GRUPO
Na política, ninguém governa sozinho. E, principalmente, ninguém se sustenta sozinho.
OSTRACISMO
Chegar à capital e agir como se já fosse a “melhor bolacha do pacote” pode até render manchetes no curto prazo. Mas erros graves em política custam caro. Às vezes, custam o próprio futuro.
ESTRATÉGIA
O anúncio de Rodrigo Camargo não foi um ataque. Foi um movimento estratégico legítimo dentro das regras do jogo.
ESTRATÉGIA 2
E, talvez, um lembrete de que no Podemos há comando, há liderança e há ordem institucional.
REFLEXÃO
Flori Cordeiro precisa decidir se quer construir um projeto coletivo, respeitando a liderança de Léo Moraes, ou se prefere apostar na autopromoção acelerada.
ALERTA
A primeira opção exige humildade e alinhamento. A segunda pode render manchetes hoje — e silêncio amanhã.
DIFERENÇA
Na política, a diferença entre protagonismo e precipitação é apenas uma: maturidade estratégica.
SEM LICITAÇÃO
Ainda sobre Flori Cordeiro, ele passa a enfrentar um tema que exige menos marketing e mais explicação técnica: a terceirização da gestão do Centro Especializado em Reabilitação (CER IV) Dr. Nazareno João da Silva.
SEM LICITAÇÃO 2
A decisão da Prefeitura de Vilhena de firmar contrato de R$ 11,4 milhões, por dispensa de licitação, com a Associação Hospital de Caridade Santa Rita, sediada em Triunfo (RS), reacende um debate antigo no Brasil: terceirizar a saúde é estratégia de eficiência ou atestado de falha administrativa?
SEM LICITAÇÃO 3
O argumento do município é a urgência provocada por cobranças do Ministério Público e decisões judiciais que pressionavam o funcionamento do CER IV. A dispensa de licitação está prevista na Lei nº 8.666/1993 para situações emergenciais.
SOLUÇÃO?
No papel, a medida resolve o problema imediato. Politicamente, porém, a pergunta permanece: por que o município chegou ao ponto de precisar de uma contratação emergencial milionária para um serviço cuja demanda era previsível?
PLANEJAMENTO?
Se o CER IV era uma necessidade estrutural conhecida, caberia à administração planejar concurso público; estruturar quadro permanente; organizar financiamento antecipadamente; implantar modelo sustentável de gestão própria.
ENTENDIMENTO
Quando a solução aparece apenas após pressão judicial, ela deixa de soar estratégica e passa a parecer corretiva.
COMPETÊNCIA
E aqui está um ponto crucial: gestor eficiente antecipa problemas. Gestor pressionado reage a eles.
OPINIÃO
O fato de a organização social ser do Rio Grande do Sul não é irregular. O modelo de OS é permitido no SUS. O risco não está na distância geográfica — está na fiscalização.
OPINIÃO 2
Haverá auditoria técnica rigorosa? Os relatórios financeiros serão transparentes? O Conselho Municipal de Saúde exercerá controle efetivo?
OPINIÃO 3
A história brasileira mostra que o modelo de OS pode funcionar — mas exige fiscalização permanente e estrutura técnica sólida. Caso contrário, abre-se espaço para metas quantitativas que priorizam números em detrimento da qualidade do atendimento.
OPINIÃO 4
Em serviços de reabilitação, vínculo terapêutico e continuidade são essenciais. Quando a lógica financeira se sobrepõe à clínica, o prejuízo recai diretamente sobre pacientes vulneráveis.
OPINIÃO 5
O debate não é ideológico — é administrativo. Terceirizar não é, por si só, incompetência.
OPINIÃO 6
Mas recorrer a uma dispensa milionária após acúmulo de problemas administrativos é, no mínimo, sinal de fragilidade no planejamento.
OPINIÃO 7
E é aqui que a imagem construída nas manchetes começa a colidir com a realidade da gestão. Enquanto tenta ocupar espaço estadual e projetar liderança além de Vilhena, Flori Cordeiro acumula temas que exigem explicação detalhada. Essa contratação emergencial é um deles.
OPINIÃO 8
Porque no fim das contas, quem almeja voos maiores precisa primeiro mostrar consistência onde já governa. O problema não é ambição política. O problema é quando a narrativa de “gestão exemplar” não resiste à análise técnica.
OPINIÃO 9
Se ao final dos 12 meses o município continuar dependente de contratos emergenciais e aditivos, a crítica deixará de ser discurso de adversários e passará a ser diagnóstico administrativo.
OPINIÃO 10
E, politicamente, isso pesa. Especialmente quando há liderança estadual consolidada no partido, como a de Léo Moraes, que inevitavelmente absorve os reflexos da imagem municipal.
OPINIÃO 11
Quem pretende crescer na política precisa entender uma verdade básica:
visibilidade é passageira. Gestão é permanente. E erros administrativos cobram um preço muito mais alto do que manchetes conseguem esconder.
FRASE
A soberba é o atalho mais rápido entre a ascensão e o ostracismo.







































