O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, afirmou na noite desta segunda-feira, 23, que a redução da jornada de trabalho é uma “tendência mundial” que já vem sendo consolidada em diversos países. A declaração ocorreu durante reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde o presidente da entidade, Paulo Skaf, solicitou formalmente que a discussão sobre o fim da escala 6×1 fosse adiada para o próximo ano, evitando o clima de tensões do período eleitoral de 2026.
Apesar do apelo do setor industrial para postergar o debate, Alckmin destacou que o tema deve ser aprofundado com cautela, respeitando as particularidades de cada setor produtivo, mas sem ignorar o movimento global de revisão das cargas horárias. O ministro ressaltou que a modernização das relações de trabalho é um processo contínuo e que o diálogo entre governo, trabalhadores e empresários será mantido para encontrar um equilíbrio que não prejudique a competitividade nacional.
Cooperação e Defesa Comercial
Durante o evento, Alckmin assinou dois protocolos de intenções estratégicos com a Fiesp. O primeiro foca na defesa comercial e no combate a práticas desleais, como o dumping. Entre as medidas práticas anunciadas está a criação de uma “calculadora de margem de dumping”, ferramenta técnica para identificar produtos importados com preços artificialmente baixos que prejudicam a indústria brasileira. O segundo acordo visa a desburocratização, com metas de digitalização de serviços públicos para reduzir custos sistêmicos e atrair novos investimentos.
Economia e Relações com os EUA
Alckmin também demonstrou otimismo em relação à política monetária, prevendo que o Copom inicie a redução da taxa Selic (atualmente em 15% ao ano) na reunião de março, impulsionado pela queda nos preços dos alimentos. Sobre o cenário internacional, o ministro classificou como positiva para o Brasil a nova tarifa global de 15% imposta pelo governo Donald Trump nos Estados Unidos. Para Alckmin, a unificação da taxa para todos os países acaba com a desvantagem anterior que o Brasil enfrentava, abrindo uma “avenida” de oportunidades para as exportações brasileiras ao mercado americano.
As medidas assinadas nesta segunda-feira reforçam a estratégia do governo em blindar o emprego industrial contra a concorrência desleal, ao mesmo tempo em que sinaliza abertura para discutir temas sensíveis da pauta trabalhista. A expectativa da Fiesp é que os novos instrumentos de regulação tragam mais agilidade para que empresas brasileiras possam denunciar irregularidades no comércio exterior de forma técnica e segura.










































