Senadores cobram CVM por suposta omissão em fraude do Banco Master

Parlamentares criticam falta de transparência e fiscalização da autarquia no mercado de capitais; presidente interino afirma que órgão enviou indícios à Polícia Federal.

Fonte: Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil - 20

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Senadores cobram CVM por suposta omissão em fraude do Banco Master
© Saulo Cruz/Agência Senado

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A Comissão do Banco Master no Senado submeteu o presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Carlos Accioly, a um duro questionamento nesta terça-feira (24). O foco do debate foi a suposta negligência da autarquia na supervisão do banco, que é acusado de promover uma fraude bilionária utilizando recursos de fundos de previdência para cobrir rombos orçamentários.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) comparou o caso ao escândalo das Lojas Americanas, sugerindo que a CVM tem um histórico de falhas na proteção ao investidor. Segundo o parlamentar, milhões de brasileiros foram prejudicados pelo “evaporamento” de dinheiro de previdência privada, o que configuraria mais do que uma simples omissão, levantando suspeitas de conflitos de interesse.

Defesa da CVM e Operação Compliance Zero

Em sua defesa, João Accioly argumentou que a CVM foi a fonte primária das informações que resultaram na Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Ele revelou que, em junho de 2025, a autarquia comunicou ao Ministério Público Federal indícios de aportes irregulares de R$ 500 milhões em clínicas geridas por “laranjas”.

Accioly informou que existem atualmente 200 processos abertos relacionados ao caso, incluindo 24 que analisam a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). Para o dirigente, a responsabilidade final pelos crimes é dos fraudadores, que buscam brechas em sistemas que estão em constante evolução.

Grupo de Trabalho para identificar falhas

A senadora Leila Barros (PDT-DF) rebateu a argumentação, questionando por que as fraudes ocorreram mesmo com os processos de fiscalização em andamento. Em resposta, a CVM anunciou a criação de um Grupo de Trabalho (GT) para realizar uma análise introspectiva e identificar erros institucionais que permitiram o rombo.

Atualmente, o colegiado da CVM enfrenta um desafio estrutural: das cinco cadeiras da diretoria, três estão vagas. Dois indicados pelo Presidente da República aguardam sabatina no Senado para ocupar as posições e fortalecer a capacidade de resposta da autarquia.

Status da Fiscalização Detalhes
Processos abertos 200 investigações em curso
Indícios de fraude R$ 500 milhões em clínicas suspeitas
Principais vítimas Cotistas de fundos de previdência
Estrutura da CVM 3 de 5 cadeiras de diretoria vagas

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