Pesquisa do IBGE aponta que 2 milhões de pessoas trabalham por aplicativos no Brasil com jornadas longas e informalidade

Levantamento divulgado nesta sexta-feira revela perfil de trabalhadores de transporte e entregas com dados sobre rendimento, dependência e falta de previdência.

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Pesquisa do IBGE aponta que 2 milhões de pessoas trabalham por aplicativos no Brasil com jornadas longas e informalidade
© Paulo Pinto/Agência Brasil

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Cerca de 2.000.000 de pessoas trabalharam por meio de aplicativos no país durante o ano de 2025. A imensa maioria desse contingente atua por conta própria, enfrentando jornadas semanais de trabalho mais longas do que os demais ocupados no setor privado e obtendo ganhos menores por cada hora trabalhada. A constatação faz parte de uma edição especial sobre trabalho por meio de plataformas digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, divulgada pelo IBGE. O instituto buscou informações detalhadas de pessoas com 14 anos ou mais que utilizam os aplicativos para realizar serviços variados.

O IBGE classifica esses profissionais como plataformizados e revela que o contingente de 1.959.000 trabalhadores representava 1,9% do total de ocupados no país. Cerca de 1.200.000 pessoas utilizam aplicativos de transporte de passageiros, o que representa praticamente 6 em cada 10 plataformizados. Desse total, 1.100.000 utilizam plataformas como Uber e 99, enquanto 232.000 utilizam aplicativos de táxi exclusivamente. Um em cada 5 plataformizados atuava como entregador de aplicativos de comida e produtos, somando 376.000 pessoas que faziam entregas para plataformas como Rappi, iFood e Zé Delivery.

A pesquisa mapeou ainda a categoria de aplicativos de prestação de serviços gerais ou profissionais, incluindo funções como designers, tradutores e telemedicina, registrando 313.000 pessoas em 2025. O IBGE detalha que a Pnad sobre trabalho por plataforma ainda é experimental e o número de 2.000.000 de plataformizados não pode ser comparado com anos anteriores por causa de mudanças metodológicas. Ao considerar apenas os trabalhadores que tinham os aplicativos como ocupação principal, o número de 2025 chega a 1.800.000, registrando um crescimento de 9,1% em 1 ano e de 36,8% em 3 anos.

Em termos de rendimento, o ganho médio mensal do trabalho principal dos plataformizados foi de R$ 3.147, mesmo patamar dos não plataformizados. No entanto, os trabalhadores por aplicativo tinham jornada semanal de 44,7 horas, superior à dos não plataformizados, que registravam 39,3 horas semanais. Essa diferença na jornada faz com que o rendimento por hora do trabalhador de aplicativo seja menor, recebendo R$ 16,2 por hora, o que representa 12% a menos que os demais ocupados. A pesquisa também mostrou que 72,1% dos plataformizados estavam na informalidade e apenas 34% contavam com cobertura previdenciária.

Perguntas frequentes

Quantas pessoas trabalharam por meio de aplicativos no país em 2025?
Cerca de 2.000.000 de pessoas utilizaram plataformas digitais para trabalhar.

Qual é o percentual de trabalhadores de aplicativos que atuam no transporte de passageiros?
Praticamente 6 em cada 10 plataformizados utilizam aplicativos de transporte.

Qual foi a jornada semanal média registrada pelos trabalhadores de aplicativos?
Os profissionais cumpriram uma jornada média de 44,7 horas semanais.

Qual é o percentual de trabalhadores plataformizados que se encontram na informalidade?
A pesquisa aponta que 72,1% dos trabalhadores de aplicativos estão na informalidade.

Qual foi o rendimento médio mensal do trabalho principal dos plataformizados?
O valor médio registrado foi de R$ 3.147 no período.

 

Com informações de Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

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