Carlos Mossoró une rap, repente e educação e fortalece hip-hop em Rondônia

Professor da Universidade Federal de Rondônia transforma referências nordestinas e amazônicas em música, educação e projetos que conectam artistas do Brasil e da África.

Fonte: News Rondônia

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Carlos Mossoró une rap, repente e educação e fortalece hip-hop em Rondônia

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Entre o repente aprendido a partir das referências familiares no Rio Grande do Norte e o rap que despertou sua consciência social, Carlos Mossoró construiu uma identidade artística própria. Professor universitário, artista e integrante do movimento hip-hop em Rondônia, ele se define como “rapentista”, expressão que sintetiza a união das duas linguagens.

Em entrevista ao programa Frequência Criativa, Mossoró falou sobre sua trajetória, explicou as diferentes vertentes do hip-hop e apresentou iniciativas desenvolvidas em Rondônia e em parceria com artistas de países africanos. O professor também destacou o papel da cultura como instrumento de conhecimento e transformação social.

Nascido em Mossoró, no Rio Grande do Norte, ele incorporou o nome da cidade à identidade artística. Atualmente, é professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), onde trabalha com disciplinas que relacionam comunicação, rap e cultura hip-hop.

Do repente ao rap: nasce o “rapentista”

A relação com a rima começou antes mesmo de Carlos Mossoró conhecer profundamente o rap. Segundo ele, o repente fazia parte de suas referências familiares, especialmente por influência do bisavô.

Mais tarde, o rap acrescentou outra dimensão à formação artística. Mossoró afirma que encontrou no gênero elementos que contribuíram para sua compreensão de questões sociais e políticas.

Foi da aproximação dessas duas referências que surgiu o “rapentista”.

Apesar da união, o professor explica que rap e repente possuem estruturas diferentes. O repente trabalha com regras métricas específicas, enquanto o rap permite maior liberdade na quantidade de sílabas, desde que o artista acompanhe a batida.

Na própria produção, Mossoró utiliza elementos do repente, como sotaque, referências e formas de rimar, mas mantém a construção musical ligada à batida do rap.

Para ele, a mistura também representa liberdade criativa. O artista defende que novas linguagens podem surgir quando diferentes referências culturais se encontram, sem que seja necessário abandonar suas origens.

Hip-hop como cultura e conhecimento

Durante a entrevista, Carlos Mossoró também explicou que o hip-hop vai muito além da imagem frequentemente associada apenas à dança.

O movimento reúne diferentes formas de expressão, entre elas MC, DJ, break e grafite. Na avaliação apresentada pelo professor, o conhecimento também ocupa posição central dentro dessa cultura.

Essa compreensão está diretamente relacionada ao trabalho desenvolvido por Mossoró como professor. Para ele, a produção artística pode funcionar como ferramenta de reflexão e transmissão de conhecimento.

O rap, nessa perspectiva, não fica restrito ao entretenimento. Música, poesia, performance e educação podem dialogar dentro do mesmo processo criativo.

Rondônia tem movimento de batalhas e poesia

O cenário do hip-hop em Rondônia também ganhou destaque na conversa.

Carlos Mossoró citou o Slam Rondônia, iniciativa ligada à poesia e à performance autoral, além das batalhas de rima realizadas no estado. Esses encontros reúnem artistas que utilizam improvisação, criatividade e capacidade de resposta durante os confrontos de versos.

Na entrevista, o professor explicou parte da dinâmica das batalhas. Os participantes precisam alternar ataques e respostas dentro do tempo estabelecido, o que exige rapidez de raciocínio, repertório e preparação.

Apesar do improviso ser uma característica importante, Mossoró ressaltou que o desempenho também exige treinamento. Os competidores precisam desenvolver técnica e praticar para conseguir responder aos adversários durante as disputas.

O movimento reúne participantes de diferentes municípios rondonienses. Na programação mencionada durante a entrevista, a final estadual de batalha de rima reuniria competidores, inclusive de Vilhena e Cacoal, na Praça CEU.

Projeto conecta Amazônia, Nordeste e África

A atuação de Carlos Mossoró ultrapassa as fronteiras de Rondônia.

Durante a pandemia, o artista conheceu uma mobilização de rappers de Moçambique que propunha a produção de pequenas rimas como forma de demonstrar que o período de isolamento não interromperia a união entre os integrantes do movimento.

Segundo Mossoró, mais de 100 pessoas responderam à iniciativa em um período de 24 horas. A experiência contribuiu para a criação de um projeto de conexão entre artistas brasileiros e moçambicanos.

O projeto, citado na entrevista como Barras Manínguia Rentadas, passou a aproximar referências do Nordeste, da Amazônia brasileira e de países africanos de língua portuguesa.

A iniciativa também desenvolve entrevistas com rappers de cidades africanas. A proposta é mostrar como o rap pode contar histórias diferentes de acordo com a realidade social, cultural e geográfica de cada artista.

Mossoró relatou ainda que o projeto foi apresentado em São Paulo durante um evento ligado à Universidade de Harvard. Ele também participou de entrevista na Rádio Câmara, em Brasília, para falar sobre o rap produzido em países de língua portuguesa, com destaque para Moçambique e Angola.

Movimento busca Casa de Hip Hop em Rondônia

Além da produção artística e acadêmica, Carlos Mossoró participa de uma articulação para fortalecer a estrutura do hip-hop no estado.

Na entrevista, ele informou que integrantes do movimento seguiriam para Brasília para participar de um encontro das casas de hip-hop do Brasil, realizado na Casa GOG. O objetivo apresentado é avançar na construção da primeira Casa de Hip Hop de Rondônia.

O professor também citou o Movimento Hip Hop da Floresta como uma das iniciativas de atuação local.

A proposta conecta arte, formação e identidade amazônica, ao mesmo tempo em que estabelece pontes com artistas de outras regiões brasileiras e de países africanos.

A trajetória apresentada por Carlos Mossoró mostra justamente essa capacidade de aproximação. Do repente nordestino às batalhas de rima em Rondônia, passando pela universidade e pelas conexões internacionais, sua produção utiliza a palavra como ponto de encontro entre diferentes territórios, gerações e culturas.

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