Educação antirracista nas escolas é tema de pesquisa em Rondônia

Professora e pesquisadora Débora Honorato destaca desafios para efetivar a legislação, ampliar o letramento racial e combater o racismo estrutural.

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Educação antirracista nas escolas é tema de pesquisa em Rondônia

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A implementação da educação antirracista nas escolas ainda enfrenta dificuldades que vão da formação e disponibilidade de profissionais à necessidade de políticas públicas e recursos específicos. A avaliação é da professora e pesquisadora Débora Honorato de Souza Alves, que abordou o assunto durante entrevista ao programa Prosa e Pesquisa.

Mestre em Direitos Humanos e Desenvolvimento da Justiça, especialista em docência do ensino superior e servidora pública do Tribunal de Justiça de Rondônia, Débora também preside o Instituto GIS. No Judiciário rondoniense, trabalha com governança institucional, sustentabilidade ambiental e social e com o aperfeiçoamento do Programa de Equidade Racial.

Durante a entrevista, a pesquisadora explicou que a educação antirracista precisa ir além da abordagem tradicional sobre escravidão e abolição. Na avaliação dela, o ensino deve permitir que os estudantes compreendam as consequências históricas da escravidão e a contribuição da população negra para a formação social, econômica e cultural brasileira.

História para além da escravidão

Débora destacou que personalidades e movimentos negros precisam ocupar mais espaço no ensino da história brasileira. Entre os exemplos mencionados estão Machado de Assis, Zumbi dos Palmares e Tereza de Benguela.

A pesquisadora ressaltou ainda a importância das diferentes formas de resistência negra no período escravista. Segundo ela, a abolição não deve ser compreendida como um acontecimento isolado, mas dentro de um processo que contou com movimentos abolicionistas e forte resistência da própria população negra.

Para Débora, conhecer esse processo histórico é fundamental para compreender desigualdades que permanecem presentes na sociedade.

Durante a conversa, ela também relacionou essas desigualdades ao conceito de racismo estrutural. Na avaliação da pesquisadora, a discriminação nem sempre ocorre de maneira explícita e pode aparecer na distribuição de oportunidades, no mercado de trabalho, no acesso a determinados espaços e na representação social da população negra.

Racismo estrutural e oportunidades

Ao explicar o tema, Débora relatou uma experiência pessoal vivida durante uma viagem. Segundo ela, ao chegar a um estabelecimento acompanhada de amigos, o grupo, formado por pessoas negras, foi colocado em uma mesa próxima à cozinha, apesar da existência de outros lugares. Após questionarem a situação, foram transferidos para outra mesa.

O episódio foi utilizado pela pesquisadora para exemplificar como determinadas situações podem ser percebidas por pessoas negras como formas silenciosas de exclusão.

Ela também chamou atenção para as diferenças históricas de acesso à educação e às oportunidades econômicas. Para a professora, compreender o racismo estrutural exige observar não apenas atos individuais de discriminação, mas também as condições sociais construídas ao longo da história brasileira.

Educação antirracista ainda enfrenta obstáculos

Um dos principais pontos apresentados pela pesquisadora foi a dificuldade de transformar a legislação sobre educação das relações étnico-raciais em uma prática permanente dentro das escolas.

Segundo Débora, algumas unidades de ensino desenvolvem atividades relacionadas ao tema de forma voluntária ou concentradas em determinadas datas do calendário. Para ela, porém, essas iniciativas isoladas não são suficientes, já que a educação antirracista precisa estar integrada ao processo educacional.

A pesquisadora afirmou que existem obstáculos relacionados a orçamento, disponibilidade de professores e conscientização sobre a importância do tema.

Ela defendeu políticas públicas mais incisivas, previsão de recursos e ampliação do número de profissionais para que o trabalho não dependa apenas de iniciativas individuais de professores e instituições.

Na avaliação de Débora, a discussão também precisa alcançar deputados, senadores e demais agentes responsáveis pela formulação de políticas públicas. O objetivo seria criar condições para que a legislação seja efetivamente aplicada nas redes de ensino.

Pesquisa resultou em cartilha antirracista

Como resultado do trabalho desenvolvido no mestrado, Débora produziu uma cartilha antirracista. Segundo a pesquisadora, o projeto ganhou uma abordagem também ligada à área jurídica e passou a integrar ações realizadas em parceria com escolas, incluindo palestras e atividades de conscientização.

A iniciativa se soma à atuação da pesquisadora em projetos sociais, na faculdade, em artigos científicos e em atividades relacionadas à promoção da equidade racial.

Ao encerrar a entrevista, Débora defendeu que as pessoas busquem informação antes de formar opiniões sobre questões raciais. A pesquisadora incentivou a leitura de dados, pesquisas e autores negros como caminho para ampliar o conhecimento e o letramento racial.

A mensagem reforça uma das principais conclusões apresentadas durante a entrevista: combater o racismo passa não apenas pela legislação, mas também pelo acesso à informação, pela educação e pela construção de políticas públicas capazes de transformar as normas existentes em práticas permanentes.


https://youtu.be/lVp81mZxUhE

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