Violência contra crianças persiste no Brasil apesar de defesa do diálogo

Pesquisa revela paradoxo cultural: embora 90% dos brasileiros prefiram o diálogo como método educativo, a maioria admite utilizar agressões físicas e verbais.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Violência contra crianças persiste no Brasil apesar de defesa do diálogo
© Rovena Rosa/Agência Brasil

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  • Pesquisa da Quaest para o Instituto Infinis com 2.202 brasileiros em 2026 mostra que, embora 90% defendam o diálogo na educação infantil, 62% já gritaram com crianças, 49% deram tapas e 27% usaram objetos para punições físicas.
  • O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes nos primeiros quatro meses de 2026, e 62% dos entrevistados dizem não interferir ao presenciar violências, alegando privacidade ou medo de represálias.
  • O estudo aponta que 61% consideram aceitável que crianças trabalhem, 88% aceitam o trabalho de adolescentes e 71% não souberam citar leis de proteção como o ECA, enquanto há leve redução no uso de objetos para castigos físicos em relação a 2023.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação do News Rondônia

A educação de crianças e adolescentes no Brasil ainda é marcada por um cenário contraditório. Dados da segunda edição da pesquisa “Atitudes e percepções sobre a infância e violência”, realizada pela Quaest a pedido do Instituto Infinis, apontam que, apesar de a ampla maioria da população (90%) defender o diálogo como a ferramenta ideal para orientar comportamentos infantis, a prática cotidiana revela uma realidade distinta e agressiva.

O paradoxo da educação
O levantamento, que ouviu 2.202 brasileiros entre maio e junho de 2026, indica que 62% dos entrevistados afirmam já ter gritado com uma criança, enquanto 49% admitem ter dado tapas e 27% confirmam o uso de objetos para aplicar punições físicas. Especialistas apontam que essa discrepância entre o que se acredita ser correto e o que é efetivamente praticado reflete um ciclo intergeracional de violência, onde padrões agressivos são frequentemente replicados de pais para filhos.

Impacto e omissão

O cenário é corroborado por dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, que registrou 115.814 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescentes apenas nos primeiros quatro meses de 2026. Quando questionados sobre como agem ao presenciar atos de violência, 62% dos entrevistados afirmaram que não interferem. Entre os motivos, metade alega que a educação de um menor seria um assunto de foro privado, enquanto outros admitem receio de represálias por parte dos agressores.

Trabalho infantil e conhecimento legal

O estudo também trouxe reflexões sobre o trabalho precoce. Embora 93% reconheçam a prioridade dos estudos, 61% dos participantes consideram aceitável que crianças trabalhem, um índice que sobe para 88% quando o foco recai sobre os adolescentes. Além disso, a pesquisa evidenciou um desconhecimento significativo sobre os direitos fundamentais: 71% dos brasileiros não souberam citar leis de proteção à infância, como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Mudança de mentalidade

Apesar da permanência de comportamentos agressivos, os pesquisadores observaram uma leve redução no uso de objetos para castigos físicos em comparação com a edição de 2023 da pesquisa. Segundo Márcia Kalvon, diretora executiva do Instituto Infinis, o desafio é romper o ciclo de violência por meio de políticas públicas eficazes. O estudo completo será divulgado em setembro durante o 8º Fórum de Políticas Públicas da Saúde na Infância (FPPSI).

Perguntas frequentes

Qual o principal paradoxo identificado pela pesquisa?

Nove em cada dez brasileiros defendem o diálogo como melhor forma de educação, mas admitem usar gritos, tapas ou objetos para disciplinar crianças.

Quantas denúncias de violência infantil foram feitas em 2026?

O Ministério dos Direitos Humanos registrou 115.814 denúncias nos primeiros quatro meses do ano.

Por que a maioria não interfere ao presenciar agressões?

Metade não intervém por achar que se trata de uma questão privada e outros relatam medo da reação do agressor.

O que a pesquisa diz sobre o trabalho infantil?

Embora a prioridade pelos estudos seja amplamente reconhecida, 61% dos entrevistados consideram aceitável que crianças trabalhem.

 

Com informações de Guilherme Jeronymo – Repórter da Agência Brasil

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