Brasil volta a rejeitar tarifa dos EUA e intensifica negociação antes de decisão de Trump

Governo brasileiro afirma que sobretaxas propostas pelos Estados Unidos não possuem fundamento técnico e mantém negociações para evitar impacto sobre exportações nacionais.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Brasil volta a rejeitar tarifa dos EUA e intensifica negociação antes de decisão de Trump
© Erich Sacco/ Adobe Stock

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O governo brasileiro voltou a classificar como injusta a proposta dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros durante reunião realizada nesta terça-feira (14) entre autoridades dos dois países. O encontro ocorreu um dia antes do prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump sobre a adoção das sobretaxas. Brasília mantém a estratégia de negociação diplomática e afirma que as medidas não possuem justificativa técnica.

Brasil reforça posição contra novas tarifas dos Estados Unidos

O governo federal reiterou nesta terça-feira (14) que considera injusta a possível aplicação de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A manifestação ocorreu durante reunião de alto nível entre representantes brasileiros e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

O encontro aconteceu na véspera do prazo estabelecido pelo governo norte-americano para decidir se adotará sobretaxas sobre parte das exportações brasileiras.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), esta foi a quinta reunião bilateral realizada desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump concordaram em criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial.

Governo afirma que proposta não possui fundamento técnico

Em nota oficial, o Mdic informou que o Brasil voltou a contestar as conclusões do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação que fundamenta a proposta de novas tarifas.

Segundo o governo brasileiro, as recomendações apresentadas pelo órgão americano não possuem base técnica suficiente para justificar a criação de novas barreiras comerciais.

Entre as medidas discutidas estão:

sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros;
tarifa adicional de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, aplicável também a outras economias.

De acordo com o ministério:

“A aplicação de qualquer sobretaxa se mostra injusta e não é o caminho para que possamos formular um acordo bilateral mutuamente adequado.”

Negociações continuam em busca de acordo

Além do Mdic, participaram da reunião representantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial da Presidência da República.

Segundo o governo federal, a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece sendo manter o diálogo com Washington para evitar a adoção das medidas comerciais.

Nos bastidores, integrantes da equipe econômica avaliam que as negociações avançaram nos primeiros meses, mas reconhecem que a posição do governo norte-americano se tornou mais rígida nas últimas semanas.

Entenda a investigação conduzida pelos Estados Unidos

A possível adoção das tarifas decorre de uma investigação aberta pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

O governo americano aponta supostas práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país em áreas como:

Comércio digital

Os EUA questionam regras brasileiras relacionadas ao ambiente digital.

Sistema de pagamentos

Entre os pontos citados está o sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Propriedade intelectual

Também são mencionadas questões relacionadas à proteção de direitos de propriedade intelectual.

Etanol

O acesso do etanol americano ao mercado brasileiro faz parte das reivindicações apresentadas por Washington.

Meio ambiente

Os Estados Unidos também incluem entre os argumentos aspectos ligados ao combate ao desmatamento ilegal.

O governo brasileiro afirma que nenhuma dessas alegações justifica a aplicação de novas tarifas.

Decisão deve ser anunciada nesta quarta-feira

O prazo para conclusão da investigação termina nesta quarta-feira (15).

Na mesma data, o governo americano deverá divulgar a relação definitiva dos produtos que poderão sofrer sobretaxas caso a medida seja confirmada.

Entre os itens citados nas recomendações preliminares estão:

aeronaves;
produtos agropecuários;
insumos industriais.

Exportações brasileiras podem ser afetadas

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros poderão sofrer impacto caso as tarifas entrem em vigor.

Esses produtos representam cerca de US$ 15 bilhões em exportações destinadas ao mercado norte-americano.

Entre os principais itens potencialmente afetados estão:

ferro-gusa;
molduras de madeira;
álcool etílico.

Próximos passos

Enquanto aguarda a decisão oficial dos Estados Unidos, o governo brasileiro mantém as negociações diplomáticas e afirma que continuará buscando uma solução negociada.

Ao mesmo tempo, o Executivo não descarta adotar medidas de resposta caso as sobretaxas sejam efetivamente implementadas.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Por que os Estados Unidos querem aplicar tarifas ao Brasil?

A proposta decorre de uma investigação do USTR que aponta supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos.

Qual a posição do governo brasileiro?

O Brasil considera as sobretaxas injustas, afirma que não há fundamento técnico para a medida e defende uma solução por meio do diálogo.

Quando sai a decisão dos EUA?

O governo americano deve anunciar a decisão nesta quarta-feira (15).

Quais produtos brasileiros podem ser afetados?

Entre eles estão aeronaves, produtos agropecuários, ferro-gusa, álcool etílico, molduras de madeira e diversos insumos industriais.

Qual o impacto estimado?

Segundo a CNI, cerca de 4,2 mil produtos exportados aos Estados Unidos poderão ser atingidos, representando aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.

 

Com informações de Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

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