Apostas online aumentam risco de dependência e preocupam especialistas

Crescimento das apostas esportivas no Brasil amplia alerta sobre impactos na saúde mental, nas finanças e nas relações familiares, segundo especialista.

Fonte: Fabiano Coutinho

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Apostas online aumentam risco de dependência e preocupam especialistas

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O avanço das apostas online no Brasil tem despertado preocupação entre profissionais da saúde e autoridades. O crescimento do setor, aliado à facilidade de acesso por aplicativos e à intensa publicidade, tem contribuído para o aumento de casos de dependência, com reflexos na saúde mental, na vida financeira e no convívio familiar.

Um levantamento técnico do Banco Central aponta que cerca de 24 milhões de brasileiros participaram de jogos de azar e apostas online em 2024. O estudo identificou que essas pessoas realizaram ao menos uma transferência via Pix para empresas do setor durante o período analisado. Os valores movimentados mensalmente variaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.

Já o Ministério da Fazenda informou que, em 2025, mais de 25 milhões de brasileiros fizeram apostas em empresas autorizadas a operar no país.

Para a coordenadora do curso de Psicologia da Afya São Lucas, em Porto Velho (RO), Emanuelly Guimarães, o principal sinal de alerta surge quando apostar deixa de ser uma forma de entretenimento e passa a ocupar um espaço central na rotina da pessoa.

“Ao jogar, ocorre a liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à motivação. Como a recompensa acontece de forma imprevisível, muitas pessoas continuam apostando na expectativa de repetir essa sensação”, explica.

Essa dinâmica faz com que alguns apostadores desenvolvam a falsa percepção de que conseguem prever quando irão ganhar ou recuperar prejuízos anteriores, reforçando um ciclo difícil de interromper.

Quais são os primeiros sinais da dependência em apostas?

De acordo com Emanuelly Guimarães, o comportamento deixa de ser apenas recreativo quando passa a dominar os pensamentos e a rotina do indivíduo.

Entre os principais sinais estão:

  • necessidade de apostar com frequência cada vez maior;
  • dificuldade para interromper o comportamento;
  • tentativas constantes de recuperar perdas financeiras;
  • mentiras sobre o tempo ou o dinheiro gastos em apostas;
  • uso do jogo como forma de aliviar ansiedade, estresse ou tristeza.

Quando esses comportamentos começam a provocar prejuízos emocionais, familiares, sociais ou financeiros, o quadro pode indicar dependência.

Quem corre mais risco?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver o problema, alguns fatores aumentam a vulnerabilidade.

Segundo a especialista, pessoas com histórico de outras dependências, dificuldades emocionais ou maior vulnerabilidade financeira tendem a apresentar risco mais elevado.

Outro fator importante é a facilidade de acesso.

“Hoje basta um celular para apostar a qualquer hora do dia. Além disso, a publicidade costuma associar as apostas à possibilidade de ganhos rápidos, o que aumenta a exposição ao comportamento”, afirma.

Impactos vão além das perdas financeiras

Os efeitos da dependência podem atingir diversas áreas da vida. No ambiente familiar, podem surgir conflitos, perda de confiança, isolamento e endividamento. No trabalho, o comportamento pode comprometer a concentração, reduzir o rendimento e afetar as relações profissionais.

Na saúde mental, a dependência está associada ao aumento de sintomas como ansiedade, culpa, irritabilidade e depressão. Em situações mais graves, também podem surgir pensamentos suicidas.

Tratamento psicológico é fundamental

O acompanhamento psicológico é considerado uma das principais ferramentas para o tratamento da dependência em apostas.

A terapia ajuda o paciente a compreender os fatores que mantêm o comportamento, identificar gatilhos emocionais e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com impulsos e frustrações.

Também contribui para substituir o jogo por outras formas de recompensa e fortalecer o autocontrole durante o processo de recuperação.

Como familiares podem ajudar?

Familiares e amigos costumam perceber mudanças antes mesmo de quem enfrenta o problema.

Entre os sinais de alerta estão:

  • isolamento social;
  • mudanças bruscas de humor;
  • preocupação excessiva com dinheiro;
  • pedidos frequentes de empréstimos;
  • irritação ao falar sobre finanças;
  • uso constante de aplicativos de apostas.

A psicóloga recomenda evitar julgamentos.

Uma abordagem acolhedora, baseada na preocupação genuína e no incentivo à busca por ajuda profissional, tende a favorecer o início do tratamento.

Como reduzir o risco de recaídas

Durante o tratamento, algumas medidas podem ajudar no controle dos impulsos:

  • excluir aplicativos de apostas;
  • evitar conteúdos e grupos relacionados aos jogos;
  • limitar o acesso ao dinheiro;
  • identificar situações que funcionam como gatilhos;
  • investir em atividades saudáveis e prazerosas;
  • fortalecer a rede de apoio.

Segundo a especialista, recaídas podem ocorrer durante o processo de recuperação e não significam necessariamente que o tratamento fracassou. Elas servem para ajustar as estratégias terapêuticas e reforçar os cuidados.

Quando procurar ajuda?

A recomendação é buscar atendimento profissional assim que a pessoa perceber perda de controle sobre o comportamento ou quando as apostas começarem a provocar prejuízos financeiros, emocionais, familiares ou profissionais.

Quanto mais cedo o tratamento é iniciado, maiores tendem a ser as chances de recuperação e menores os impactos provocados pela dependência.

Perguntas e respostas:

A dependência em apostas tem tratamento?
Sim. O tratamento psicológico ajuda a compreender os fatores envolvidos na compulsão e desenvolver estratégias para recuperar o controle do comportamento.

Quais são os primeiros sinais de alerta?
Pensar constantemente em apostas, tentar recuperar perdas, mentir sobre o dinheiro gasto e perder o controle sobre o tempo dedicado aos jogos.

Quem pode desenvolver esse problema?
Qualquer pessoa pode desenvolver dependência, embora indivíduos com outras dependências, dificuldades emocionais ou vulnerabilidade financeira apresentem maior risco.

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