Relatório aponta padrões em golpes online com uso de Pix

Estudo revela que fraudes utilizam marcas conhecidas e distorção de notícias reais para atrair vítimas; WhatsApp é o principal canal de circulação.

Fonte: Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - 20

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Relatório aponta padrões em golpes online com uso de Pix
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Promessas de dinheiro fácil associadas a marcas famosas e pagamentos via Pix consolidaram-se como a estratégia mais recorrente dos golpistas digitais no Brasil. É o que revela a segunda edição do relatório A Jornada dos Golpes, divulgado nesta quarta-feira (17) pelo Observatório Lupa. Com base na análise de 115 conteúdos fraudulentos virais entre maio de 2024 e abril de 2026, o estudo aponta que 74% dos golpes se apropriam da credibilidade de empresas ou personalidades conhecidas para conferir aparência de legitimidade às fraudes.

Estratégias previsíveis

A pesquisa destaca que os criminosos não necessitam de invenções complexas, preferindo a reutilização de estruturas que já demonstraram eficácia. Promoções falsas, vagas de emprego fictícias e benefícios sociais inexistentes são adaptados conforme o contexto sazonal ou temas em alta no noticiário. Segundo a pesquisadora Beatriz Farrugia, a previsibilidade desses métodos pode ser um ponto de partida para estratégias de prevenção mais eficientes. “Eles reutilizam estruturas que já funcionaram e se aproveitam da confiança que as pessoas depositam em marcas e figuras públicas”, explica.

Distorção de fatos e marcas exploradas

Um dos dados mais preocupantes é a crescente distorção de informações verídicas. Em 66% dos casos analisados, os criminosos partiram de fatos reais como reportagens jornalísticas, comunicados oficiais ou decisões judiciais para construir narrativas falsas. Empresas de varejo, bancos e marketplaces, como Mercado Livre, Nubank, Shopee e Serasa, estão entre as marcas mais usadas indevidamente pelos fraudadores para enganar o público.

O papel das redes e o uso do Pix

O WhatsApp figura como o canal central para o desfecho das fraudes, presente em quase 65% dos casos mapeados entre 2025 e 2026. Frequentemente, a jornada do golpe inicia em redes sociais como Facebook, Instagram e TikTok, onde anúncios direcionam as vítimas para ambientes privados. Nesses locais, o Pix é exigido como condição única para a liberação de falsas taxas ou benefícios, tornando o sistema de pagamento instantâneo uma ferramenta estratégica para a execução dos crimes.

Debate sobre responsabilidade

O relatório reacende o debate sobre o dever de fiscalização das plataformas digitais. Documentos internos da Meta revelaram que a empresa teria arrecadado, em 2024, bilhões de dólares com anúncios ligados a golpes, o que tem gerado críticas sobre a monetização de conteúdos fraudulentos. A conclusão do Observatório Lupa reforça a urgência de uma atuação coordenada entre tecnologia, instituições financeiras e governo. O entendimento dos padrões estáveis de narrativa e distribuição é visto como a chave para antecipar ameaças e proteger os usuários brasileiros.

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