Especialistas da ONU cobram justiça por Crimes de Maio de 2006

Organismo internacional classifica episódios em São Paulo como graves violações de direitos humanos e exige responsabilização do Estado brasileiro.

Fonte: Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil - 20

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Especialistas da ONU cobram justiça por Crimes de Maio de 2006
© Paulo Pinto/Agência Brasil

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Especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceram os Crimes de Maio de 2006 como graves violações de direitos humanos, exigindo que o Estado brasileiro garanta a responsabilização pelos atos. O conflito, que completa 20 anos, teve início após a transferência de mais de 760 detentos, incluindo lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), para uma unidade de segurança máxima, desencadeando rebeliões em mais de 700 presídios em São Paulo.

O saldo da violência

A ofensiva se estendeu às ruas com ataques mútuos entre o PCC e agentes públicos, resultando na morte de mais de 500 pessoas. Conforme dados do Laboratório de Análises da Violência da Universidade Federal do Rio de Janeiro:

O total de vítimas fatais incluiu 59 agentes públicos e 505 civis.

A maioria dos civis mortos era composta por jovens negros e pobres.

Grande parte das mortes apresentou indícios de execuções cometidas por policiais.

Passadas duas décadas, a maioria desses crimes permanece impune.

Apelo à ONU e impunidade

A denúncia de omissão do Estado brasileiro foi levada à ONU pela organização Conectas Direitos Humanos e pelo Movimento Independente Mães de Maio em maio de 2026. As entidades solicitaram o cumprimento dos direitos à memória, à verdade e à reparação, ressaltando que, até o momento, nenhum agente estatal foi responsabilizado e as famílias não receberam assistência adequada.

Os especialistas da ONU reforçaram que:

Estes casos não devem estar sujeitos a prazos de prescrição devido à gravidade das violações.

A falta de condenações aprofunda a impunidade e fere o direito à verdade das famílias.

A justiça é necessária para romper o ciclo de violência e o racismo sistêmico manifestado na atuação policial.

Investigações devem seguir padrões internacionais, como o Protocolo de Minnesota.

Como resposta simbólica, familiares lançaram a segunda fase do Tribunal Popular para julgar as ações do Estado. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que todas as mortes decorrentes de intervenção policial são rigorosamente investigadas por meio de elementos técnicos e periciais, sob acompanhamento do Ministério Público e do Judiciário.

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