Segurança pública: apenas 32% se sentem seguros na cidade onde vivem

Pesquisa nacional do Instituto Sou da Paz aponta que sociedade prioriza prevenção, uso de tecnologia e aplicação rigorosa das leis existentes.

Fonte: Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil - 20

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Segurança pública: apenas 32% se sentem seguros na cidade onde vivem
© Philippe Lima/Governo do Rio

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Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Sou da Paz revela que a maioria da população brasileira defende propostas de segurança pública baseadas em eficiência institucional, prevenção ao crime, uso de tecnologias de monitoramento e respeito estrito à legislação. O levantamento estatístico demonstra que os discursos baseados em radicalismos não possuem adesão ampla na sociedade. O estudo aponta ainda que a sensação de insegurança urbana permanece elevada no país.

A pesquisa detalha que a conhecida frase de efeito “bandido bom é bandido morto” encontra apoio em apenas 20% dos entrevistados. Em contrapartida, 73% dos cidadãos afirmam categoricamente que os criminosos devem ser investigados, julgados pelo Poder Judiciário e punidos com penas de prisão por seus atos ilícitos. Para a diretoria da entidade, os dados evidenciam a existência de uma maioria silenciosa que busca resultados práticos e rejeita velhas promessas.

Aplicação das leis e controle de armamentos

O estudo de abrangência nacional foi conduzido tecnicamente pela Oma Pesquisa entre os meses de novembro e dezembro de 2025, por meio de 1.115 entrevistas presenciais realizadas nos domicílios dos participantes. Conforme o relatório consolidado, 55% dos brasileiros acreditam que a prioridade do Estado deve ser a aplicação rigorosa das leis vigentes para todos os infratores, enquanto 39% defendem a necessidade de endurecimento de penas.

O controle de armas de fogo também registrou um consenso expressivo entre os entrevistados. O levantamento mostra que 77% da população compreendem que armas adquiridas de forma legalizada pelo mercado civil correm o risco de abastecer a criminalidade e serem utilizadas em atos violentos caso sejam roubadas ou extraviadas. Além disso, uma fatia de 73% dos cidadãos associa o aumento de armas em circulação com a escalada da violência.

Câmeras corporais e modernização das polícias

No que tange às políticas de modernização e atuação das forças de segurança, as ferramentas tecnológicas de monitoramento contam com aprovação quase unânime. Os dados coletados apontam que 82% dos entrevistados são favoráveis à instalação e ao uso de câmeras corporais nos uniformes dos policiais como instrumentos de proteção aos direitos e de transparência operacional. Outros 65% enfatizam a urgência de dispor de uma polícia mais bem preparada.

A percepção geral de segurança pública nas áreas urbanas, contudo, é crítica. Apenas 32% das pessoas declararam se sentir seguras nas cidades onde residem atualmente. O levantamento também mapeou a alta incidência da violência doméstica e de gênero nas localidades avaliadas, uma vez que 83% dos colaboradores afirmaram identificar de forma clara a ocorrência de episódios de violência física ou psicológica contra mulheres em suas respectivas cidades.

Insegurança feminina e as cinco prioridades

O abalo na sensação de segurança é ainda mais severo no recorte por gênero, registrando que o índice de mulheres que declaram se sentir seguras em seus municípios cai para apenas 26%. Diante desses indicadores de vulnerabilidade social, o Instituto Sou da Paz formatou um documento técnico com recomendações direcionadas aos gestores públicos, estabelecendo cinco eixos prioritários para a modernização da segurança nos próximos anos.

As metas propostas pela organização civil contemplam o desenvolvimento de redes integradas de proteção para meninas e mulheres e o fortalecimento de polícias mais valorizadas e qualificadas por meio de inteligência. As diretrizes nacionais incluem ainda ações coordenadas para o enfrentamento ao crime organizado estruturado, planos integrados voltados para a redução dos crimes de roubo e a implementação de forças-tarefa para a retirada de armas ilegais de circulação.

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