A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), sediada em Campo Grande (MS), atingiu nesta quinta-feira (26) sua metade com um balanço positivo nas negociações internacionais. O foco central das discussões é a inclusão de 42 novas espécies nos anexos de proteção da convenção global. Segundo o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, o cronograma segue sem atrasos, com delegações de diversos países revisando as listas de animais em risco de extinção e sob pressão ambiental.
O evento tem servido como palco para a apresentação de estudos alarmantes, como o declínio acentuado de peixes migratórios de água doce. Além da diplomacia tradicional, a conferência abriu espaço para que comunidades indígenas, quilombolas e a comunidade científica tragam recomendações práticas para a preservação de corredores biológicos. O Brasil, que liderará as ações do bloco nos próximos três anos, busca consolidar acordos que garantam a sobrevivência de espécies que cruzam fronteiras nacionais durante seus ciclos de vida.
Liderança pelo exemplo e novos marcos de proteção
Para reforçar o protagonismo brasileiro, o Ministério do Meio Ambiente destacou medidas recentes, como a criação do Parque Nacional e da APA do Albardão, no Rio Grande do Sul, somando mais de 1 milhão de hectares de área protegida. Outros decretos ampliaram o Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense e criaram reservas em Minas Gerais. No campo jurídico, o anúncio da criação das primeiras varas de Justiça especializadas no bioma Pantanal foi celebrado como um marco para punir crimes ambientais com maior agilidade.
Em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o governo federal também lançou um edital de fomento à pesquisa para mapear rotas migratórias em território nacional. O objetivo é identificar pontos críticos que ainda carecem de proteção legal. “Não basta fazer proposições; é preciso promover ações concretas”, afirmou Capobianco, reforçando a estratégia da ministra Marina Silva de liderar pelo exemplo. A conferência segue até o final da semana, quando serão anunciadas as resoluções finais sobre as espécies protegidas.



































