Um levantamento detalhado da organização Agenda Pública, divulgado nesta quinta-feira (19), aponta um descompasso entre a riqueza gerada pelo petróleo e o bem-estar da população. Das 50 cidades brasileiras que mais receberam royalties em 2024, 12 apresentam um Índice de Condições de Vida (ICV) abaixo de 0,485, a média nacional. O estudo analisou dados de 50 municípios em oito áreas críticas, incluindo saúde, educação, infraestrutura e gestão pública.
Embora Maricá (RJ) e Saquarema (RJ) liderem o ranking de arrecadação com R$ 2,7 bilhões e R$ 2 bilhões recebidos, respectivamente, elas não ocupam o topo da qualidade de vida. O ranking de bem-estar é liderado por Linhares (ES), com um ICV de 0,643, seguido por Araucária (PR) e Resende (RJ). O dado mais alarmante recai sobre cidades como Campos dos Goytacazes (RJ), que mesmo sendo a 5ª maior recebedora de royalties (R$ 667,4 milhões), amarga um índice social inferior à média do país.
Gestão x Arrecadação
Para os pesquisadores, o volume de recursos não é o único fator determinante para o sucesso de uma cidade. O estudo classifica 16 dos maiores recebedores de royalties na categoria de “muito baixa condição de vida” (índice até 0,499). Sergio Andrade, diretor da Agenda Pública, ressalta que o desafio é transformar uma fonte de renda finita em desenvolvimento de longo prazo. Sem planejamento e investimento em áreas como qualificação profissional e diversificação econômica, os municípios correm o risco de enfrentar uma crise severa quando a exploração do petróleo se extinguir.








































