A presidência da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) divulgou, nesta terça-feira (17), o balanço oficial do evento realizado em Belém no final de 2025. O documento ratifica 56 decisões adotadas por consenso, estabelecendo mapas do caminho cruciais para a transição energética e a conservação ambiental. Entre os destaques, está o compromisso global de zerar o desmatamento até 2030 e a triplicação do financiamento voltado à adaptação climática.
O relatório enfatiza a meta financeira de mobilizar US$ 1,3 trilhão até 2035, com foco em países em desenvolvimento. Um dos pilares da gestão brasileira foi o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que já conta com o endosso de 52 países e da União Europeia. O mecanismo utiliza financiamento misto (público e privado) para remunerar nações que mantêm suas florestas em pé, garantindo recursos previsíveis de longo prazo para a conservação.
Justiça Social e Combate ao Racismo Ambiental
Pela primeira vez em uma conferência climática, o aspecto social ganhou protagonismo jurídico com a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental. O texto reconhece que comunidades indígenas, quilombolas e afrodescendentes são as mais expostas aos riscos da poluição e desastres climáticos, exigindo políticas públicas baseadas em direitos humanos e justiça racial. Além disso, 44 países assinaram a declaração que vincula o combate à fome e à pobreza à ação climática, prevendo sistemas de alerta precoce e proteção social para pequenos agricultores.
Os Três Mapas do Caminho
O relatório define três estratégias centrais para os próximos anos:
Transição Energética: Afastamento gradual e justo dos combustíveis fósseis.
Reversão do Desmatamento: Meta de desmatamento zero e recuperação de áreas degradadas até 2030.
Baku a Belém: Foco na execução do financiamento bilionário e cumprimento das metas do Acordo de Paris.
Com o encerramento deste ciclo em solo brasileiro, a agenda internacional agora se volta para a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia, em 2026. O desafio do Brasil, segundo o comunicado oficial, será garantir que os “trilhões de dólares” prometidos para redes limpas e adaptação comecem a fluir antes do próximo encontro global.









































