A Organização das Nações Unidas (ONU) informou, nesta quinta-feira (5), que os recentes bombardeios contra o Irã e a subsequente retaliação regional já deslocaram mais de 275 mil pessoas. Segundo a Agência da ONU para os Refugiados (Acnur), a crise atinge não apenas o território iraniano, mas se ramifica pelo Afeganistão, Líbano e Paquistão, sobrecarregando uma região que já abrigava quase 25 milhões de pessoas dependentes de ajuda humanitária antes do início das hostilidades no último sábado (28).
No Irã, o fluxo de saída da capital Teerã é intenso. Dados da polícia de trânsito indicam que cerca de mil a 2 mil veículos deixam a metrópole por hora, a maioria em direção ao norte do país, fugindo dos bombardeios que atingiram centros de comando e resultaram na morte de autoridades de alto escalão, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. No Afeganistão, o número de deslocados chega a 115 mil, refletindo o transbordamento do conflito para as fronteiras vizinhas.
Raízes do conflito e escalada nuclear
A ofensiva militar é o ápice de uma tensão que se arrasta desde o abandono do acordo nuclear de 2015 pelos Estados Unidos. Ao assumir o segundo mandato em 2025, o presidente Donald Trump intensificou as exigências sobre Teerã, condicionando a paz ao fim do programa de mísseis balísticos e do apoio a grupos como o Hezbollah. A negativa iraniana e a continuidade das pesquisas nucleares serviram de justificativa para a operação conjunta com Israel.
Em resposta aos ataques na capital, o Irã disparou mísseis contra bases militares norte-americanas localizadas em países do Golfo, como Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos. No Líbano, o embate entre Israel e o Hezbollah já forçou a saída de 58 mil pessoas de suas casas, com agências como o Programa Alimentar Mundial estimando números ainda maiores devido à interrupção das linhas de suprimento.
A ONU alertou que a capacidade de resposta humanitária está “praticamente no limite”. Com a morte de lideranças políticas e o fechamento de fronteiras, a coordenação de comboios de alimentos e medicamentos torna-se cada vez mais perigosa. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir em caráter de urgência em Genebra para discutir corredores humanitários, enquanto o mundo observa o risco de uma guerra total no Oriente Médio.











































