Um levantamento inédito do Unicef, em parceria com a Interpol e a ECPAT, revelou que cerca de 3 milhões de adolescentes brasileiros foram vítimas de violência sexual facilitada por tecnologias digitais no último ano. O relatório “Disrupting Harm in Brazil”, divulgado nesta quarta-feira (4), mostra que 20% dos jovens entre 12 e 17 anos passaram por situações de abuso, aliciamento ou extorsão online. Em 66% dos casos, a violência ocorreu exclusivamente no ambiente virtual, utilizando redes sociais e plataformas de jogos.
A exposição a conteúdo sexual não solicitado foi a agressão mais frequente, relatada por 14% dos entrevistados, funcionando como uma porta de entrada para o escalonamento dos abusos. Outros dados indicam que 9% receberam pedidos de imagens íntimas e 4% sofreram ameaças de vazamento de conteúdo (sextorsão). O estudo destaca o uso de inteligência artificial para manipular imagens em 3% dos casos e ofertas de dinheiro em troca de fotos ou encontros em outras parcelas significativas.
A pesquisa identificou que quase metade dos agressores (49%) são pessoas conhecidas das vítimas, como amigos, familiares e namorados. Embora o contato ocorra majoritariamente online, 27% das abordagens iniciais aconteceram na escola. Um dado preocupante é o silêncio das vítimas: um terço dos adolescentes não contou o ocorrido a ninguém, motivado por vergonha, medo de não receber crédito ou desconhecimento de que a situação configurava crime. Quando resolvem falar, os jovens preferem recorrer a amigos (24%) em vez de pais ou cuidadores.
O Unicef reforça a necessidade de descentralizar e fortalecer o Sistema de Garantia de Direitos, além de cobrar maior responsabilidade das plataformas de tecnologia. Entre as recomendações do relatório estão a atualização de leis diante de tecnologias emergentes, o fortalecimento do diálogo familiar e a integração de educação sobre consentimento e proteção digital nas escolas para evitar a naturalização da violência online.










































