O Instagram anunciou nesta quinta-feira, 26, que passará a notificar pais e responsáveis caso seus filhos adolescentes realizem buscas repetidas sobre suicídio ou automutilação em um curto intervalo de tempo. A funcionalidade será integrada às ferramentas de supervisão da rede social e visa oferecer uma camada extra de proteção à saúde mental dos jovens. Inicialmente, o recurso será lançado na próxima semana na Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, países que lideram as pressões globais por maior regulação das plataformas digitais.
A decisão ocorre em um momento de intenso debate internacional sobre a segurança de menores na internet. Governos da Espanha, Grécia e Eslovênia estudam seguir o exemplo da Austrália, que implementou restrições severas ao uso de redes sociais por menores de 16 anos no final de 2025. O Instagram reforçou que já possui políticas rígidas que bloqueiam conteúdos que glorifiquem o suicídio, mas que os novos alertas permitirão que as famílias intervenham precocemente em situações de risco.
Como funcionam os alertas
Para que o aviso seja enviado, é necessário que o responsável tenha ativado a configuração opcional de supervisão da conta. O sistema monitora a frequência das buscas e, ao detectar um padrão preocupante, dispara uma notificação imediata. A plataforma esclareceu que, além do alerta aos pais, o usuário continuará sendo redirecionado para canais de apoio psicológico e recursos de prevenção, mantendo o bloqueio direto a imagens ou textos que promovam danos físicos.
Pressão regulatória e privacidade
O endurecimento das regras do Instagram também responde a críticas recentes sobre o papel da inteligência artificial na geração de conteúdos prejudiciais. No Reino Unido, a discussão sobre a proteção infantil online tem gerado tensões diplomáticas com os EUA devido aos limites entre a regulação de segurança e a liberdade de expressão. Atualmente, as “contas para adolescentes” do Instagram já exigem autorização parental para alteração de configurações de privacidade, tornando a supervisão uma peça central na estratégia da Meta para 2026.
Especialistas em psicologia infantil veem a medida com cautela, ressaltando que, embora o alerta seja útil, ele não substitui o diálogo aberto entre pais e filhos. A eficácia da ferramenta dependerá da adesão das famílias ao sistema de supervisão e da capacidade da plataforma em distinguir buscas informativas de pedidos de ajuda reais. A expansão do recurso para outros países, incluindo o Brasil, ainda não possui uma data confirmada pela empresa.








































