Porto Velho ganhou, nos últimos meses, um novo ritmo quando o assunto é limpeza urbana, roçagem, retirada de entulhos e enfrentamento de pontos crônicos de descarte irregular. Foi esse panorama que o secretário executivo de serviços básicos e infraestrutura, Giovanni Marini, apresentou em entrevista ao programa Jovem News, ao falar sobre as estratégias que estão sendo aplicadas na capital e nos distritos, e sobre como a participação da população virou peça central para a cidade avançar em meio ambiente, saúde e qualidade de vida.
Ao longo da conversa, Giovanni descreveu um cenário que, para quem vive em Porto Velho, é fácil reconhecer: terrenos baldios usados como “depósitos clandestinos”, lixo e entulho jogados em ruas e calçadas, bueiros obstruídos, canais pressionados por resíduos e uma cidade que cresce rápido, muitas vezes sem planejamento. Segundo ele, a resposta precisa ser permanente, organizada e com presença diária nas ruas, sem depender apenas de ações pontuais.
A entrevista reforçou que o objetivo é chegar a uma Porto Velho mais “saneada, limpa e livre de vetores de doenças”, com impacto direto na prevenção de dengue e malária. Giovanni explicou que há um trabalho integrado com a área da saúde para identificar regiões com maior incidência e, a partir desse mapeamento, intensificar a retirada de entulho e a limpeza de pontos vulneráveis, justamente para cortar o problema na raiz, evitando que resíduos virem foco de mosquito e que lixo em beira de igarapé comprometa drenagem e macrodrenagem.
Plano de limpeza com pontos fixos, periódicos e o Cidade Limpa
Um dos principais destaques da entrevista foi a explicação do modelo adotado pela gestão municipal, que organiza a limpeza de Porto Velho em três frentes. A primeira é formada pelos chamados pontos fixos, corredores de grande circulação que precisam de limpeza diária, como vias centrais e áreas de alto fluxo. A segunda são os pontos periódicos, avenidas e eixos que entram em um ciclo de roçagem e manutenção a cada 15 a 20 dias, com ajustes conforme o período de chuvas, quando o mato cresce mais rápido e o cronograma precisa ser mais flexível.
A terceira frente é o programa Cidade Limpa, descrito como uma operação de varredura “rua por rua” dentro dos bairros. Giovanni afirmou que esse trabalho já alcançou mais de 75% da capital, com passagem por regiões onde, segundo relatos de moradores, nunca havia existido uma limpeza tão detalhada. Ele citou bairros como Cunhã, Floresta, Marcos Freire e Ronaldo Aragão como exemplos de áreas atendidas, e reforçou que a opção foi começar pela periferia, onde vive um volume maior de pessoas e onde a necessidade costuma ser mais urgente.
Na avaliação do secretário, a lógica é simples: não adianta concentrar o esforço apenas nas áreas de maior visibilidade. “Você tem que estar onde as pessoas vivem”, defendeu, ao explicar que bairros mais distantes concentram densidade populacional muito alta, o que torna o cuidado com limpeza e drenagem ainda mais importante.
Mutirões, escolas, cemitérios e operações especiais
A entrevista também trouxe detalhes de ações extraordinárias, aquelas que surgem fora do cronograma regular e exigem mobilização maior. Giovanni citou mutirões em escolas municipais, incluindo unidades da zona rural, com um ritmo de atendimento que chegou a envolver 15 a 18 escolas por dia antes do início das aulas. Outro ponto foi a limpeza de cemitérios, especialmente o Santo Antônio, que recebe vários mutirões ao longo do ano para manter a organização e reduzir o impacto do abandono e do mato alto, evitando que o cuidado fique concentrado apenas no período de Finados.
No carnaval, ele descreveu uma operação que classificou como “de guerra”, citando a limpeza pós-evento e a logística para garantir que grandes concentrações populares não deixem rastros de sujeira e risco sanitário. O secretário ainda mencionou a lavagem de avenida após a Banda do Vai Quem Quer, como forma de reforçar o zelo e a manutenção dos espaços públicos após grandes eventos.
Terrenos baldios: fiscalização, notificação e aumento de multas
Um tema que gerou atenção na entrevista foi o enfrentamento aos terrenos baldios e ao descarte irregular. Giovanni explicou que a fiscalização passou a atuar junto com as equipes do Cidade Limpa: enquanto a limpeza acontece, fiscais identificam vazios urbanos e já iniciam o processo de notificação ao proprietário. Ele afirmou que o volume de notificações ultrapassou 700 terrenos, um salto em comparação com números da gestão anterior.
Além disso, Giovanni destacou que houve mudança nos valores de multa, ampliando o poder de punição para quem insiste em jogar lixo em locais proibidos ou manter terrenos sem cuidado. A mensagem, porém, foi de que a prioridade é orientar e notificar primeiro, e só depois multar em caso de descumprimento.
Ele também explicou que, em situações extremas, a Prefeitura pode fazer a limpeza do terreno privado e cobrar o custo do serviço, desde que haja autorização da Procuradoria Geral do Município, uma medida voltada a impedir que áreas abandonadas continuem virando foco de doenças e problemas de segurança.
Drenagem urbana, ocupação irregular e desafios históricos
Em um momento mais explicativo, Giovanni conectou limpeza e meio ambiente com urbanismo e história da cidade. Ele comentou que muitos dos principais problemas urbanos de Porto Velho se intensificaram a partir da década de 1980, quando houve rápida expansão e ocupação de áreas vulneráveis, incluindo margens de igarapés e áreas de proteção permanente, onde, por regra, não deveria haver moradia.
Nesse trecho, a fala ganhou um tom social: ele reconheceu que ninguém escolhe viver em área de risco por vontade própria, e que a solução envolve políticas públicas coordenadas em diferentes esferas para tirar famílias da vulnerabilidade, sem romper completamente vínculos de pertencimento. Giovanni citou o conceito de “lugar”, defendendo que mudanças precisam considerar o sentimento de pertencimento, para evitar que reassentamentos criem novos problemas sociais.
Ao tratar de drenagem, ele explicou que a impermeabilização do solo, com asfalto, calçadas e telhados, mudou o caminho natural da água. Com menos infiltração e mais escoamento rápido, crescem as inundações urbanas. Por isso, a gestão tem investido na desobstrução e ampliação de estruturas, com substituição de manilhas e abertura de bocas de lobo, além de intervenções em pontos críticos onde a infraestrutura estava comprometida.
Como a população pode pedir ação e denunciar problemas
Giovanni reforçou que a secretaria mantém canais de atendimento e que demandas podem chegar por visita presencial, por marcações em redes sociais e pelos canais oficiais. Ele divulgou um “disque denúncia” via WhatsApp, com atendimento automatizado e possibilidade de denúncia anônima, voltado a problemas como descarte irregular, terrenos baldios e questões de posturas urbanas.
A entrevista fechou com um recado que, na prática, resume a proposta apresentada: limpeza urbana é gestão compartilhada. A Prefeitura pode limpar, mas, se o morador volta a jogar entulho, o problema se repete. Giovanni disse acreditar no exemplo como ferramenta de educação ambiental, defendendo que quando a cidade está limpa, a própria pressão social aumenta e ajuda a manter o padrão.









































