Quando o assunto é saúde pública, não deveria haver espaço para dúvidas, sombras ou sumiços misteriosos. Mas em Rondônia, mais precisamente em São Francisco do Guaporé, a pergunta que ecoa nos corredores dos postos de saúde e nas conversas de esquina é direta, simples e incômoda: onde está o dinheiro?
Recursos que somem, problemas que ficam
Diante de denúncias e questionamentos sobre possível desvio ou má gestão de verbas da saúde, a população relata dificuldades que parecem incompatíveis com os valores destinados ao setor. Falta medicamento, falta atendimento especializado, faltam exames — mas, curiosamente, não faltam promessas.
Se os recursos foram devidamente repassados, empenhados e pagos, por que a realidade não acompanha os números?
Se o orçamento existe, por que a estrutura não melhora?
Se tudo está regular, por que tantos questionamentos?
A possível CPI: fiscalização ou espetáculo?
A Câmara Municipal de São Francisco do Guaporé sinaliza a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos. A iniciativa, em tese, representa o exercício legítimo da função fiscalizadora do Legislativo.
Mas a população quer saber:
A investigação será profunda ou superficial?
Haverá transparência na divulgação dos resultados?
Todos os responsáveis pela gestão dos recursos serão ouvidos?
A apuração alcançará contratos, licitações e pagamentos?
Uma CPI pode ser instrumento de justiça — ou apenas mais um capítulo político com discursos inflamados e poucos resultados práticos.
E o Executivo?
Cabe à Prefeitura de São Francisco do Guaporé prestar esclarecimentos detalhados. Transparência não é favor, é obrigação. Quando se trata de verba da saúde, cada centavo tem destino certo: salvar vidas, garantir dignidade, oferecer atendimento adequado.
Se houve erro administrativo, que seja corrigido.
Se houve irregularidade, que seja apurada.
Se não houve nada de errado, que se prove com documentos, números e auditorias claras.
A pergunta que não cala
A ironia surge justamente da repetição histórica desse roteiro em Rondônia: verba anunciada, serviço precário, investigação prometida.
Enquanto isso, o cidadão espera consulta.
A mãe espera exame.
O idoso espera medicamento.
E todos continuam perguntando:
Onde está o dinheiro?
A resposta não pode ficar perdida em planilhas, gavetas ou discursos. A sociedade merece explicações concretas, responsabilidade administrativa e respeito com o recurso público — especialmente quando ele deveria estar cuidando daquilo que é mais básico: a saúde da população.


































