Documentos judiciais analisados nesta segunda-feira, 23, revelam que cerca de 19% dos usuários do Instagram entre 13 e 15 anos admitiram ter sido expostos a nudez ou imagens sexuais indesejadas na plataforma. Os dados fazem parte de uma pesquisa interna da Meta realizada em 2021, mas que só veio a público agora como parte de um processo no estado da Califórnia. O chefe do Instagram, Adam Mosseri, afirmou em depoimento que a maioria dessas imagens é enviada via mensagens diretas (DMs), dificultando a moderação devido às políticas de privacidade dos usuários.
Além da exposição a conteúdo sexual, o processo revelou que 8% dos jovens nessa faixa etária relataram ter visto publicações de automutilação ou ameaças de danos físicos. A Meta enfrenta milhares de ações judiciais que acusam a empresa de projetar algoritmos viciantes que prejudicam a saúde mental de crianças e adolescentes. Em resposta, o porta-voz da empresa, Andy Stone, destacou que a Meta implementou, no fim de 2025, novas regras para remover conteúdos sexuais explícitos, incluindo imagens geradas por inteligência artificial (IA).
O caso que motivou a divulgação desses documentos foi movido por uma moradora da Califórnia que utiliza as redes sociais desde a infância. Ela alega que o Instagram e o YouTube lucram deliberadamente com o vício de menores, o que teria agravado seu quadro de depressão e pensamentos suicidas. As empresas negam as acusações e argumentam que têm investido em recursos de segurança, como ferramentas de controle parental e limites de tempo de uso.
A defesa da Meta sustenta que pesquisas baseadas em autorrelatos de usuários são “problemáticas” e podem não refletir a análise técnica dos posts. Contudo, especialistas em direitos digitais argumentam que os números reforçam a necessidade de uma regulação mais rígida sobre como as Big Techs tratam a privacidade em relação à proteção de menores. O julgamento continua na Califórnia e pode abrir precedentes para novas condenações e mudanças estruturais no funcionamento das redes sociais nos Estados Unidos e no mundo.
A pressão global sobre a Meta tem levado a empresa a testar tecnologias de desfoque automático de imagens nudes em mensagens privadas, visando proteger jovens sem violar a criptografia de ponta a ponta. No entanto, para os advogados de acusação, essas medidas são insuficientes diante do impacto psicológico já causado a milhões de adolescentes que cresceram expostos a algoritmos que priorizam o engajamento em detrimento da segurança.




































