A partir desta segunda-feira (2), o sistema bancário brasileiro conta com um reforço tecnológico para tentar reverter o prejuízo de milhares de vítimas de crimes digitais. As novas regras do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), estabelecidas pelo Banco Central, permitem o rastreamento do dinheiro desviado mesmo que ele seja fragmentado ou transferido para múltiplas contas de diferentes instituições.
Até então, os bancos só conseguiam bloquear valores que ainda estivessem na primeira conta para onde o dinheiro foi enviado. Os criminosos, cientes disso, pulverizavam rapidamente os montantes para contas de laranjas. Com a nova regra, o bloqueio atinge todas as camadas da transação, rastreando o percurso real do dinheiro.
O grande avanço do MED 2.0 é a capacidade de identificação das contas “contaminadas” pelo golpe. O Banco Central agora compartilha as informações de todas as chaves envolvidas na fraude com todo o sistema financeiro, criando uma lista negra de contas fraudulentas mais robusta e atualizada em tempo real.
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Alcance: Bloqueio de contas em diversos bancos por onde o dinheiro circulou.
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Identificação: Aumento da capacidade de detetar e encerrar contas de “laranjas”.
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Prazos: O cliente tem até 80 dias para contestar a operação, e os bancos têm 11 dias para efetuar a devolução se a fraude for confirmada.
É importante destacar que o mecanismo é exclusivo para casos de fraude, suspeita de fraude ou erro sistêmico entre instituições. A ferramenta não ampara o usuário em situações de erro humano comum, como digitar uma chave errada ou enviar dinheiro para o destinatário incorreto por falta de atenção.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) considera a medida um marco na segurança digital. Para o usuário que foi vítima de um golpe, o procedimento deve ser imediato:
| Ação | Prazo / Responsável |
| Contestação do PIX | Até 80 dias (pelo usuário via App) |
| Análise do Banco | Até 7 dias (pelas instituições) |
| Devolução do Valor | Até 11 dias (após confirmação da fraude) |
| Compartilhamento de Dados | Imediato (via Banco Central) |
A recomendação das autoridades é que a vítima registre o boletim de ocorrência e faça a contestação dentro do aplicativo do seu banco o mais rápido possível, aumentando as chances de o bloqueio ser efetivado antes que os valores sejam sacados pelos criminosos.










































