Tarifa dos EUA contra produtos brasileiros pode ser definida nesta quarta-feira

Prazo do governo dos Estados Unidos para decidir sobre tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros termina nesta quarta-feira (15), enquanto negociações seguem sem acordo.

Fonte: Francisco Rodrigo

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Tarifa dos EUA contra produtos brasileiros pode ser definida nesta quarta-feira
© REUTERS/Kevin Lamarque/Proibida reprodução

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Os Estados Unidos devem decidir nesta quarta-feira (15) se aplicarão uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. As negociações entre os dois países seguem sem consenso, diante de divergências envolvendo o Pix, etanol, açúcar e outros temas comerciais. Especialistas apontam que o impasse possui forte componente político e pode afetar a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

Decisão dos EUA sobre tarifa adicional entra na reta final

O prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para definir a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros termina nesta quarta-feira (15).

Até o momento, não há previsão de acordo entre os governos brasileiro e norte-americano. As negociações permanecem travadas em razão de divergências sobre temas considerados estratégicos para ambos os países.

A medida poderá impactar o comércio bilateral caso seja confirmada pela administração do presidente Donald Trump.

Impasse envolve Pix, etanol e açúcar

Entre os principais pontos de discordância está a negativa do governo brasileiro em negociar alterações relacionadas ao Pix, sistema de pagamentos instantâneos desenvolvido pelo Banco Central.

Outro tema sensível envolve o mercado de biocombustíveis. Os Estados Unidos defendem a eliminação de tarifas sobre o etanol produzido no país, enquanto o Brasil condiciona qualquer avanço à retirada da sobretaxa aplicada ao açúcar brasileiro exportado para o mercado norte-americano.

Segundo o governo brasileiro, o açúcar nacional enfrenta uma tarifa próxima de 100% para ingresso nos Estados Unidos.

Governo brasileiro mantém posição

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o etanol é um setor estratégico para a economia nacional, especialmente para a Região Nordeste, e que sua inclusão nas negociações exige tratamento equilibrado.

Segundo ele, não há justificativa para discutir apenas o acesso do etanol americano ao mercado brasileiro sem considerar as barreiras enfrentadas pelo açúcar nacional.

Entidades como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apoiam essa posição.

As organizações argumentam que a redução das importações de etanol dos Estados Unidos decorre principalmente do crescimento da produção brasileira e não apenas das tarifas atualmente vigentes.

Especialistas apontam motivação política

Para especialistas ouvidos pela Agência Brasil, o impasse ultrapassa questões comerciais.

O professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, afirma que as declarações recentes do presidente Donald Trump indicam que a medida possui forte componente político.

Segundo Casella, o governo norte-americano demonstra intenção de pressionar o Brasil em diferentes frentes, dificultando a construção de um entendimento diplomático.

Na avaliação do especialista, negociações comerciais dependem de boa vontade entre as partes, cenário que atualmente estaria comprometido.

Nova estratégia dos Estados Unidos para a América Latina

O professor de Relações Internacionais do Ibmec São Paulo, Alexandre Pires, avalia que o endurecimento da postura americana faz parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a influência de Washington sobre a América Latina.

Segundo ele, a política externa da atual administração busca reduzir a aproximação de países latino-americanos com a China, principal parceiro comercial do Brasil nos últimos anos.

Na avaliação do pesquisador, embora o Brasil também utilize mecanismos de proteção comercial, o contexto geopolítico atual tornou essas práticas alvo de maior pressão internacional.

Governo rebate acusações dos EUA

Em resposta às alegações do USTR sobre supostas práticas comerciais desleais, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que uma eventual elevação tarifária prejudicaria ambos os países.

Segundo o chanceler, Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação econômica importante, baseada em comércio e investimentos recíprocos, e medidas unilaterais reduzem o espaço para soluções negociadas.

O que pode acontecer após o prazo

Caso o governo norte-americano confirme a aplicação da tarifa adicional, diversos setores exportadores brasileiros poderão ser impactados, dependendo da lista definitiva de produtos atingidos.

Ao mesmo tempo, as negociações diplomáticas poderão continuar mesmo após a decisão, buscando alternativas para reduzir os efeitos sobre o comércio bilateral.

Até o encerramento do prazo, os dois governos mantêm diálogo, mas ainda sem indicação de um consenso.

Perguntas Frequentes (FAQ)

O que os Estados Unidos estão analisando?

O governo americano avalia aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil.

Quando termina o prazo para a decisão?

O prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) termina nesta quarta-feira, 15 de julho.

Quais são os principais pontos de divergência?

As negociações envolvem temas como Pix, etanol, açúcar brasileiro, desmatamento e outras questões comerciais levantadas pelo governo americano.

Por que o Brasil não aceita negociar o etanol isoladamente?

O governo brasileiro defende que qualquer negociação sobre o etanol seja acompanhada da retirada das sobretaxas impostas ao açúcar brasileiro nos Estados Unidos.

A decisão pode afetar o comércio entre os dois países?

Sim. Caso a tarifa seja implementada, produtos brasileiros poderão enfrentar custos maiores para entrar no mercado norte-americano, afetando exportações e empresas dos dois países.

 

Com informações de Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil

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