Petroleiros cruzam Estreito de Ormuz após acordo de paz

Apesar da retomada do tráfego marítimo e da queda nos preços do petróleo, ataques aéreos no Líbano geram incerteza sobre o cumprimento do cessar-fogo.

Fonte: Maya Gebeily, Rami Ayyub e Jonathan Saul - Repórteres da Reuters - 20

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Petroleiros cruzam Estreito de Ormuz após acordo de paz
© REUTERS/Stringer/ Proibido reprodução

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A assinatura do memorando de entendimento entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, provocou as primeiras mudanças concretas na geopolítica do Oriente Médio nesta quinta-feira (18). Três petroleiros sauditas, transportando 6 milhões de barris, atravessaram o Estreito de Ormuz poucas horas após a formalização do documento. A medida sinaliza o início do fim do bloqueio que afetava o abastecimento global de energia, levando o barril do tipo Brent a uma queda de 2%, sendo cotado abaixo de 78 dólares.

Desafios no Líbano

Enquanto o fluxo marítimo no Golfo começa a ser normalizado, a situação no Líbano permanece crítica. Apesar de o memorando exigir explicitamente o fim definitivo dos combates e a garantia da soberania libanesa, forças israelenses intensificaram ataques aéreos e de artilharia na manhã de hoje. A persistência das operações militares, mesmo após a assinatura do acordo entre Washington e Teerã, levanta dúvidas sobre a eficácia da influência de Trump sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para interromper a ofensiva iniciada em março.

Exclusão de Israel e incerteza política

Israel, um dos protagonistas do conflito, não participou diretamente das negociações que culminaram no memorando. O texto, que também prevê o levantamento das sanções aos portos iranianos e o fim do tráfego oculto de navios, atende a uma demanda histórica do Irã ao exigir o respeito à integridade territorial libanesa. Fontes governamentais israelenses indicaram que o país segue em tratativas com os Estados Unidos, buscando manter destacamentos militares no sul do Líbano, o que contrasta com a pressão pública de Trump pela interrupção imediata das hostilidades.

Clima de apreensão

Nas ruas e abrigos, a população libanesa vive um momento de descrença. Com mais de 1 milhão de pessoas deslocadas, o contraste entre a normalização econômica impulsionada pelo petróleo e a continuidade dos bombardeios cria um cenário de insegurança. O questionamento sobre a efetividade da paz, reforçado pelo som de drones sobre Beirute, ilustra o impasse entre o progresso diplomático no Golfo e a realidade violenta que ainda domina o sul do Líbano, deixando os civis sem respostas definitivas sobre o término real das hostilidades.

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