A China estabeleceu, nesta quinta-feira (5), uma meta de crescimento econômico situada entre 4,5% e 5% para o ano de 2026. O objetivo, anunciado pelo primeiro-ministro Li Qiang durante a Assembleia Nacional Popular (ANP) em Pequim, é ligeiramente mais modesto do que as metas de “cerca de 5%” adotadas nos anos anteriores. A mudança para um intervalo fixo indica uma busca por maior flexibilidade nas políticas econômicas frente a um cenário global de incertezas.
O relatório de trabalho apresentado ao legislativo chinês reconhece os desafios estruturais internos, como o desequilíbrio entre a forte capacidade produtiva e a demanda doméstica ainda fraca. Além disso, o governo chinês destacou a necessidade de transição para novos motores de crescimento, focando em alta tecnologia e inovação, em consonância com as ambições do presidente Xi Jinping de consolidar o país como líder tecnológico global até 2030.
Pressões externas e geopolítica
No plano internacional, o documento aponta que o livre comércio enfrenta ameaças severas e cita o aumento dos riscos geopolíticos. As exportações chinesas continuam sendo impactadas pelas tarifas impostas pela administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que tem forçado Pequim a diversificar seus mercados e fortalecer o comércio com outras regiões do mundo para mitigar perdas no mercado norte-americano.
O primeiro-ministro Li Qiang enfatizou que a meta atual leva em conta a necessidade de realizar reformas estruturais e prevenir riscos financeiros no primeiro ano do novo plano quinquenal. “Temos plena consciência das dificuldades e desafios que enfrentamos, tanto antigos como novos”, afirmou o premiê, reforçando que a base sólida construída agora permitirá resultados melhores no futuro próximo.
A sessão da ANP, que reúne cerca de 3 mil delegados, deve aprovar nos próximos dias o plano quinquenal que norteará as prioridades políticas da China até o final da década. O mercado financeiro global observa atentamente os desdobramentos, uma vez que o ritmo da economia chinesa dita a demanda por commodities em países exportadores, como o Brasil.











































