O governo dos Estados Unidos iniciou, nesta terça-feira, 24, a cobrança de uma nova tarifa global de 10% sobre produtos importados, conforme orientação da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). A taxa aplicada surpreendeu o mercado internacional, já que o presidente Donald Trump havia prometido, no último sábado, elevar o índice para 15%. Até o momento, a Casa Branca não justificou a manutenção do percentual mais baixo, embora fontes de Washington sinalizem que o aumento pode ser implementado em etapas posteriores.
A nova taxação surge como uma manobra jurídica após a Suprema Corte dos EUA derrubar as tarifas anteriores, que variavam entre 10% e 50%. Para contornar a decisão judicial, o governo acionou a “Seção 122”, uma lei comercial que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias em casos de déficits graves na balança de pagamentos. Segundo a ordem presidencial, o déficit comercial americano em bens atingiu US$ 1,2 trilhão, o que justificaria a intervenção emergencial para proteger a economia doméstica.
Impactos no comércio global e reações
A aplicação da tarifa de 10% incide sobre todos os produtos que não possuem isenções específicas. Países como Japão, Reino Unido e os membros da União Europeia já se manifestaram, solicitando que os acordos comerciais bilaterais existentes sejam respeitados para evitar uma escalada protecionista. Trump, por sua vez, alertou que qualquer tentativa de recuo em acordos negociados recentemente resultará em sanções ainda mais severas sob outras leis comerciais.
Para o setor produtivo de Rondônia e do Brasil, a confusão sobre o índice — 10% ou 15% — gera instabilidade no planejamento de exportações, especialmente de commodities e produtos manufaturados. Especialistas indicam que, enquanto a taxa de 10% é considerada “absorvível” por alguns setores, a possível elevação para 15% pode inviabilizar contratos de longo prazo. A cobrança das novas taxas começou oficialmente à meia-noite desta terça-feira, substituindo o regime tarifário anterior que foi invalidado.
A incerteza sobre a duração e o valor final das tarifas deve manter a volatilidade nos mercados de câmbio ao longo da semana. Analistas aguardam um pronunciamento oficial do Departamento do Tesouro dos EUA para esclarecer se a taxa de 15% foi descartada ou se o sistema da alfândega apenas aguarda uma nova proclamação presidencial para atualizar os valores de cobrança.










































