O Brasil registrou uma queda expressiva de 16,7% nas suas emissões brutas de gases de efeito estufa em 2024, totalizando 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e). Os dados, divulgados nesta terça-feira, 17, pelo Observatório do Clima, revelam a segunda maior redução da série histórica iniciada em 1990. A queda nas emissões líquidas foi ainda mais acentuada, atingindo 22% (1,489 bilhão de toneladas), considerando o carbono absorvido por florestas e áreas protegidas.
O resultado positivo foi impulsionado quase inteiramente pela redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, onde as emissões por mudança de uso da terra recuaram 32,5%. No entanto, o relatório aponta que outros setores da economia seguem em direção oposta ou estagnados. Enquanto a agropecuária teve uma leve queda de 0,7%, os setores de energia (0,8%), processos industriais (2,8%) e resíduos (3,6%) registraram alta nas emissões.
O Peso dos Incêndios e os Desafios por Setor
Um dado alarmante do relatório é o impacto dos incêndios florestais em 2024. As emissões causadas pelo fogo atingiram o nível recorde de 241 milhões de toneladas de CO2e. Caso esses números fossem integrados ao inventário oficial de uso da terra, eles poderiam dobrar as emissões líquidas do setor. No detalhamento por atividades econômicas, a agropecuária lidera as emissões brutas (626 MtCO2e), seguida por energia (424 MtCO2e) e resíduos (96 MtCO2e).
O ranking estadual de emissões brutas em 2024 foi liderado por:
Pará: 278 MtCO2e
Mato Grosso: 231 MtCO2e
Minas Gerais: 190 MtCO2e
São Paulo: 145 MtCO2e
Mato Grosso também registrou a maior emissão per capita do país (60 toneladas por habitante), número três vezes superior ao dos Estados Unidos, reflexo da combinação de baixa população e alto índice de emissões brutas.
Projeções e o Novo Plano Clima
Apesar dos avanços, a projeção para 2025 indica que o Brasil deve falhar em atingir sua meta da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC). A estimativa é de que o país registre 1,44 bilhão de toneladas líquidas, valor 9% acima do teto estipulado de 1,32 bilhão. Especialistas criticam o foco quase exclusivo no Ibama como agente de mitigação, defendendo que setores como indústria e transporte precisam de medidas de controle mais severas.
Para responder a esse cenário, o governo federal lançou nesta semana o Plano Clima. O documento estabelece diretrizes para que o Brasil reduza entre 59% e 67% suas emissões até 2035 (em relação aos níveis de 2005), com o objetivo final de alcançar a neutralidade de carbono (emissões líquidas zero) até 2050. O plano busca diversificar as ações de mitigação para além da fiscalização ambiental, focando na transição para uma economia de baixo carbono.






































