O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte otimismo à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de anular a maior parte do “tarifaço” imposto pelo governo de Donald Trump. O índice Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores (B3), encerrou a sexta-feira, 20, com alta de 1,06%, atingindo a marca histórica de 190.534 pontos. A valorização foi puxada principalmente por ações de mineradoras e do setor bancário.
No câmbio, o dólar comercial acompanhou a tendência global de alívio e fechou vendido a R$ 5,176, registrando um recuo de 0,98%. Este é o menor patamar da divisa estadunidense desde maio de 2024. A queda consolidou-se ao longo da tarde, mesmo após o anúncio de Trump sobre uma nova taxa global temporária de 10%, que não foi suficiente para frear o entusiasmo dos investidores.
O cenário internacional favoreceu moedas de países emergentes, como o real, diante da perspectiva de maior fluidez no comércio global. O euro também seguiu o movimento de baixa, encerrando o dia a R$ 6,09, o menor valor em quase um ano. Na semana, que foi reduzida pelo feriado de Carnaval, a bolsa brasileira acumulou ganhos de 2,18%, somando uma alta expressiva de 18,25% apenas nos primeiros meses de 2026.
Analistas apontam que a retirada das tarifas adicionais reduz incertezas sobre a inflação nos Estados Unidos e melhora a competitividade das exportações brasileiras. O fluxo de capital estrangeiro para a B3 intensificou-se nas últimas sessões, refletindo o reposicionamento de fundos internacionais em mercados que se beneficiam da redução de barreiras comerciais.
Apesar da euforia, operadores de mercado mantêm cautela em relação aos próximos 120 dias, prazo estipulado por Trump para a validade da nova tarifa global. No entanto, o sentimento predominante é de que a decisão jurídica da Suprema Corte trouxe uma previsibilidade que estava ausente desde o início das tensões comerciais.










































