No Bora Ali, o empreendedor Saulo Giordane abriu o coração para falar de trajetória, desafios e planos que podem reposicionar Porto Velho e Rondônia no mapa do turismo nacional. Com 23 anos dedicados ao setor, ele contou como a Amazônia Adventure, iniciada em 2004, nasceu de um sonho pessoal e foi ganhando musculatura até virar referência local em eventos, excursões e experiências de aventura, sempre com um olhar forte para sustentabilidade e impacto social.
Logo no começo da entrevista, Saulo fez questão de se definir mais como empreendedor do que empresário, dizendo que ainda está “na linha de frente”, idealizando, executando e buscando soluções na prática. Maranhense de nascimento, mas rondoniense por vida, ele lembrou que chegou ao estado ainda pequeno, em 1982, e que a conexão com a floresta, os rios e a cultura local virou combustível para construir projetos que “enaltecem Porto Velho e Rondônia para o Brasil e para o mundo”.
O começo em 2004 e o evento que abriu portas
Ao relembrar os primeiros anos, Saulo destacou o Endurapé de regularidade como o grande divisor de águas. A proposta, na largada inicial, era reunir cerca de 100 participantes, mas o número triplicou, e o sucesso trouxe um desafio inesperado, como fazer a logística funcionar quando o evento terminava longe do ponto de partida. Ele contou que resolveu o problema “na hora”, com improviso e organização, e que a experiência ensinou cedo uma regra básica do empreendedorismo, projeto bom exige planejamento, mas também exige sangue frio para ajustar o que muda no caminho.
Foi nesse período que ele passou a bater na porta de empresas com apresentações estruturadas, feitas em PowerPoint, ainda na época da internet discada. Saulo descreveu a rotina de madrugadas montando propostas e dias enfrentando “chá de espera”, até conseguir parceiros. A insistência, segundo ele, virou método. E a resposta veio, apoio de empresas, estrutura melhor para o público, e até premiação em dinheiro tirada do próprio lucro, como forma de entregar algo além do esperado e consolidar credibilidade.
Turismo, esporte e uma semente que virou cultura
Um dos pontos mais marcantes do relato foi quando Saulo explicou que, além de movimentar turismo e economia, os eventos ajudaram a criar uma cultura de atividade ao ar livre na cidade. Ele citou que viu, anos depois, pessoas que começaram em suas provas competindo em desafios maiores e inspirando novas iniciativas, como corridas e projetos esportivos criados por participantes que evoluíram como atletas.
Na visão dele, a Amazônia Adventure também contribuiu para mostrar ao porto-velhense que Porto Velho tem, sim, pontos turísticos e experiências que podem ser valorizadas. Ele mencionou que as edições do Endurapé ganharam temáticas e passaram por locais diferentes, estratégia pensada para manter o interesse do público e, ao mesmo tempo, apresentar paisagens, trilhas e rotas com potencial turístico.
Sustentabilidade na prática, a “prova do lixo” e o projeto Arte em Pneus
Quando o assunto virou sustentabilidade, Saulo trouxe exemplos concretos. Ele contou que uma preocupação antiga, desde as primeiras edições do Endurapé, era o descarte de resíduos gerados em pontos de hidratação. Foi daí que surgiu a ideia da “prova do lixo”, com incentivo para que os participantes trouxessem de volta o que consumiram e, mais do que isso, recolhessem resíduos do caminho, ajudando a limpar áreas que estavam abandonadas.
Ele também relembrou o projeto Arte em Pneus, aprovado com apoio do Banco da Amazônia, que capacitou pessoas para reutilizar pneus descartados de forma irregular, transformando em itens como vasos, floreiras e peças utilitárias. O objetivo, segundo ele, era combater o descarte inadequado na cidade e, principalmente, na natureza, criando consciência e alternativa de reaproveitamento.
Outro exemplo citado foi a experiência com rotas de caiaque em áreas onde havia muita sujeira. Saulo relatou que levava sacolas para recolher lixo com os clientes, e que, com o tempo, a comunidade percebeu o movimento e mudou a forma de olhar para o espaço, um “chacoalhão” que vira educação ambiental quando é feito com constância.
O “Bora Ali” do Saulo e um novo empreendimento em construção
Na reta final, veio a revelação que mais chamou atenção. Saulo contou que hoje tem uma área do outro lado da ponte, na BR, onde já existe um projeto arquitetônico pronto para um grande complexo turístico. Ele descreveu a ideia como um presente para Porto Velho, um projeto de longo prazo, estimado em seis a sete anos, com proposta de reunir lazer, negócios, natureza e cultura em um mesmo lugar.
Entre os itens citados, ele falou em resort, parque aquático, restaurantes, apartamentos, cerca de 60 chalés, tirolesa, quadras esportivas, arena de eventos, auditórios, cinema, borboletário, e uma experiência voltada também ao turismo internacional. Segundo ele, o que falta para dar o primeiro passo é um investidor inicial, já que, na prática, “banco empresta dinheiro para quem tem dinheiro”, como resumiu durante a entrevista.
Ainda no embalo das novidades, a apresentadora adiantou que ele deve voltar ao programa para falar de outra etapa do projeto, um restaurante que está sendo preparado com a marca Café Onça Pintada, com promessa de gastronomia regional e experiência no local.










































