A Netflix é alvo de uma ação civil pública que pede R$ 10 milhões por danos morais coletivos, movida por uma entidade de defesa do consumidor da Bahia. O processo acusa a plataforma de adotar práticas consideradas abusivas, como aumentos de preço desproporcionais e mudanças contratuais sem negociação, afetando milhões de assinantes.
O que motivou a ação contra a Netflix
Segundo a Associação de Defesa dos Direitos dos Consumidores do Estado da Bahia (Aceba), a Netflix teria realizado reajustes acima da inflação sem oferecer melhorias equivalentes no serviço. Pelo contrário, a entidade sustenta que houve redução de benefícios, como alterações em planos e restrições no uso simultâneo de telas.
O processo afirma que essas mudanças teriam rompido a previsibilidade contratual, princípio protegido pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). Para a associação, os assinantes foram colocados em desvantagem excessiva diante de alterações unilaterais.
Mudanças em planos e compartilhamento de contas
Outro ponto central envolve a política de compartilhamento de senhas. A criação de regras de residência e cobrança por ponto extra teria obrigado usuários a pagar por funcionalidades antes incluídas no serviço.
A ação também questiona a migração de clientes para planos com anúncios ou mais caros, alegando que a escolha seria artificial: aceitar publicidade ou pagar mais para manter a experiência anterior. No entendimento da entidade, a prática restringiria a liberdade do consumidor.
Plano com anúncios e falhas de informação
A Aceba afirma ainda que o plano com anúncios da Netflix apresenta incompatibilidade com alguns modelos de televisores e aparelhos antigos. Consumidores relatariam descobrir a limitação apenas após a contratação, o que poderia caracterizar falha de informação.
De acordo com o processo, em alguns casos a solução apresentada seria a troca de plano — geralmente mais caro — ou a substituição do equipamento, situação que a entidade considera potencialmente irregular.
Histórico de conflitos no Brasil
A ação ocorre após outros embates entre a Netflix e órgãos de defesa do consumidor. Em anos recentes, a empresa foi multada por Procons estaduais por mudanças nas regras de compartilhamento de contas.
Embora a companhia não divulgue oficialmente sua base de assinantes no país, o alcance do serviço amplia o impacto potencial de decisões judiciais envolvendo práticas comerciais.
Contexto e possíveis desdobramentos
Especialistas em direito do consumidor apontam que ações coletivas como essa buscam equilibrar a relação entre plataformas digitais e usuários, especialmente diante de contratos padronizados e mudanças frequentes em modelos de negócio.
O processo solicita medidas para impedir novas alterações unilaterais e o reconhecimento de dano moral coletivo. A Netflix informou que não comentará o caso neste momento. O andamento judicial poderá influenciar futuras políticas comerciais no setor de streaming.










































