O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta terça-feira, 3, as instalações da farmacêutica Bionovis, em Valinhos (SP), um dos pilares do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Brasil. A unidade, fruto da união de quatro grandes laboratórios nacionais (Aché, EMS, Hypera Pharma e União Química), é responsável pelo fornecimento anual de 19 milhões de frascos e seringas de medicamentos biológicos ao Sistema Único de Saúde (SUS). Durante a visita, Lula reforçou que o Estado deve atuar como indutor do desenvolvimento, garantindo crédito e políticas de financiamento que viabilizem a soberania nacional na produção de fármacos de alto custo.
Acompanhado pelos ministros da Fazenda, Planejamento e Saúde, além do vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente exibiu medicamentos que chegam a custar R$ 6 mil por seringa no mercado privado, mas que são distribuídos gratuitamente pelo SUS. De acordo com a direção da Bionovis, a parceria com o Ministério da Saúde permite que o governo adquira esses produtos com uma economia de 80% em relação aos preços de clínicas particulares. O foco da fábrica está em doenças crônicas e graves, como a artrite reumatoide, que exige tratamentos contínuos de até 25 doses anuais por paciente.
Investimentos e Soberania Tecnológica
O fortalecimento do complexo industrial da saúde conta com um plano de investimentos federais que soma R$ 15 bilhões. Um dos destaques é o financiamento de R$ 650 milhões aprovado pelo BNDES para que a Bionovis instalasse em Valinhos uma linha de produção pioneira. Essa tecnologia permite que o Brasil fabrique insumos biotecnológicos que antes eram importados exclusivamente de países como China, Estados Unidos e Índia, reduzindo a dependência externa e a vulnerabilidade do abastecimento nacional.
O ministro Fernando Haddad enfatizou que o projeto só é sustentável devido ao poder de compra do Estado. “Sem política de compras governamentais, isso aqui é impossível”, afirmou, ressaltando a importância do BNDES no planejamento de longo prazo de empresas privadas estratégicas. A visita encerrou-se com uma defesa da vida em contraposição ao cenário global de conflitos, com o presidente classificando a produção de medicamentos de alta tecnologia como o “míssil brasileiro para salvar vidas”.











































